Exclusão ambiental e desigualdade no Brasil

Por Carlos Eduardo Frickmann Young

Infelizmente, ainda é frequente o discurso de que a degradação das condições ambientais é uma condição necessária para o desenvolvimento social e econômico. Essa visão traz forte analogia com uma discussão mais antiga na literatura econômica brasileira: a ideia de que a desigualdade, em especial, a concentração de renda era funcional ao desenvolvimento. O objetivo deste capítulo é demonstrar que ambos os problemas, desigualdade socioeconômica e degradação ambiental, são dimensões diferentes do mesmo modelo que concentra os benefícios nas mãos da elite econômica e política.

Por outro lado, as externalidades negativas desse processo (poluição, riscos de eventos extremos, tempo de deslocamento ao trabalho e outros problemas ambientais) são absorvidas, principalmente, pela população mais pobre. Ou seja, além da falta de equidade na apropriação da renda e riqueza, existe uma dimensão não monetária da pobreza que, apesar de não ser usualmente contemplada nos estudos sobre distribuição de renda, contribuem para que as desigualdades socioeconômicas atinjam níveis tão elevados no Brasil.


Por essa razão, não é possível aceitar a falácia de que a degradação ambiental é um caminho para o desenvolvimento socioeconômico, porque acentua ainda mais os problemas de desigualdade, que são o principal entrave que se busca solucionar. Como corolário, as políticas de proteção do meio ambiente e dos
recursos naturais são essenciais para garantir maior igualdade e reduzir a pobreza, especialmente, aquela que se manifesta de forma não monetizada (as externalidades negativas referidas). Portanto, a atual tendência de desmonte da política ambiental é mais um fator que irá acentuar as desigualdades desse país.

El País – 05.02.2021

Fonte: El País

Sete anos após provocar uma reviravolta sem precedentes na política e na economia do Brasil, a outrora poderosa Operação Lava Jato vive um melancólico apagar de luzes com o anúncio de que já não existe mais —ao menos da forma como ficou conhecida. O desfecho acontece após a operação entrar numa espiral de descrédito no mundo jurídico, que culminou com a exposição de diálogos entre o ex-juiz Sergio Moro e o então chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol. Carla Jiménez, Regiane Oliveira e Felipe Betim analisam como o material exposto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski vai muito além do exposto nas reportagens da série Vaza Jato e pressiona a principal corte do país a julgar o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que considere Moro um juiz suspeito.

Ainda nesta edição, Gil Alessi conta que a situação dos grupos da Lava Jato que atuam em São Paulo e no Rio de Janeiro também não é nada promissora. Em São Paulo, onde investiga casos de corrupção ligados a obras estaduais e ao grupo mais longevo no poder, o PSDB, a equipe da Lava Jato já é, desde setembro de 2020, um exército de uma pessoa só. No Rio, a força-tarefa acaba em abril. Em artigo, a procuradora Jerusa Viecili, que integrou a operação em Curitiba, defende o trabalho da Lava Jato que “lutou contra um sistema feito para não funcionar” e lamenta que o retrocesso da corrupção e da impunidade não seja um legado: “Nos últimos anos, não foram poucos os que levantaram a bandeira do combate à corrupção, mas foram escassas as medidas para alterar o quadro de corrupção sistêmica”.

Após dois anos da tragédia em Brumadinho, um acordo bilionário entre a Vale e o Governo de Minas Gerais foi finalmente firmado para que a mineradora repare os danos causados pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, que matou 270 pessoas e causou um desastre ambiental. O valor acertado foi de 37,68 bilhões de reais, se tornando o maior acordo judicial de medidas de reparação já realizado na América Latina, segundo o Executivo mineiro.

Após quase um ano sem receber alunos para atividades de ensino regulares, sem vacina à vista e com muitas incertezas em meio ao agravamento da pandemia de covid-19, o país começa a retomar as aulas de milhões de alunos. A colunista Eliane Brum escreve sobre o que significa educar uma criança neste contexto de prolongada crise sanitária. “Numa pandemia, tratar a escola como essencial é determinar que é um serviço essencial e, portanto, professores e funcionários devem ser colocados na frente da fila de vacinação. Até agora, os professores não foram vacinados. E, sem medidas práticas, qualquer conversa é pura demagogia. Ou pior, é escolher o corpo do outro para que seja sacrificado. Sempre o do outro, claro.”

E nos Estados Unidos, grupos prioritários de negros, latinos e indígenas —os mais castigados pela pandemia— estão significativamente sub-representados entre os que receberam as doses, enquanto os brancos obtêm o tratamento de forma proporcional à sua presença na população. Antonia Laborde detalha os planos da administração de Joe Biden para reverter a desigualdade do sistema, o que inclui instalar centros de vacinação em bairros de alto risco e investir em clínicas móveis que levem as doses a áreas desatendidas.

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