Boletim JPE 03.02.2020 – Cotação & Conjuntura Cambial | Janeiro’2020

❶ – O dólar acumulou alta de 6,86% em janeiro e chegou a ser cotado a R$ 4,2850, sendo este o novo recorde nominal da série histórica.  Janeiro foi marcado pelo cenário de aversão ao risco dos investidores com os conflitos entre os EUA e Irã no Oriente Médio e a descoberta de um novo vírus (2019 – nCoV)  na província chinesa de Wuhan.   

 

❷ – Conforme o mês avançava, as preocupações dos investidores com o surto de coronavírus na China acentuavam-se com a descoberta de novos casos além do epicentro.  O receio do mercado está atrelado a possibilidade de os impactos da doença afetarem a demanda dos consumidores, reproduzindo os efeitos que a epidemia de SARS teve sobre o a atividade econômica chinesa entre 2002 e 2003. Neste ambiente de intensa volatilidade o US$ final foi cotado a R$ 4,2695 e o US$ médio ficou em R$ 4,1495.

 

❸ – Este surto é mais uma variável de incerteza que devemos incluir para o ano 2020, ao lado da saída do Reino Unido da União Européia e as eleições presidenciais dos EUA.  O mercado tende a reagir de maneira eufórica ou com excesso de pânico conforme as novas notícias sobre o vírus são divulgadas.  Quando analisamos o comportamento das epidemias e seus efeitos no mercado nos últimos 50 anos, observamos que os impactos das variações ficam restritos ao curto prazo e não alteram a estrutura de longo prazo.  Ainda é esperado que haja mais notificações sobre a doença, mas o possível anúncio da criação de uma vacina pode trazer certa tranquilidade para o mercado e levar o câmbio para um patamar mais baixo. 

 

❹ –  Sobre as projeções para a atividade econômica brasileira, no Relatório Focus Divulgado há pouco pelo Banco Central, o mercado ajustou o IPCA de 3,47% para 3,40%.  O crescimento do PIB e a projeção da Selic foram mantidos em 2,3% e 4,25% respectivamente.  A taxa de câmbio esperada também foi mantida e está em R$ / US$ 4,10.

 

Boletim Econômico – (pdf)

Bradesco – Semana em Foco | Disseminação do coronavírus continuou impactando os mercados

por Economia em dia – Bradesco

Semana_em_Foco_- ( pdf )

  • Aumento do número de casos de coronavírus continua impactando os mercados globais e eleva a preocupação com o crescimento. Mesmo com uma taxa de mortalidade baixa, o rápido aumento do número de pessoas infectadas eleva a cautela dos investidores, afetando o preço dos ativos com maior risco associado. O tamanho e a duração do impacto na economia ainda são incertos e, por ora, concentrados na China. Ainda assim, pode ter reflexos na dinâmica da atividade global, que mostrava sinais de estabilização desde o final do ano passado.

 

  • Os indicadores de atividade sugerem estabilização da economia global no final do ano passado, mas ainda indicam ritmo lento de retomada. O PIB dos EUA subiu 2,1% na passagem do terceiro para quarto trimestre, em termos anualizados. Na Área do Euro, o PIB expandiu 0,1% nos últimos três meses do ano passado em relação ao período anterior, quando tinha crescido 0,3%. A política monetária no mundo segue com viés estimulativo, diante do comportamento controlado da inflação e dos riscos de uma frustração com a retomada. Nesta semana, o Fed trouxe um discurso mais preocupado com a inflação baixa no país e confirmou a mudança do seu arcabouço de política monetária para o segundo semestre do ano.

 

  • No Brasil, o balanço de pagamentos mostrou um déficit pior do que o esperado em dezembro, fechando 2019 em US$ 50,8 bilhões. O desempenho do fluxo de capital para o Brasil continua sendo fator relevante para explicar números piores das contas externas, reforçando os sinais de realocação de recursos em um ambiente de juros menores. No decorrer do ano, a retomada da economia poderá ajudar a reverter parte desse movimento.

 

  • Indicadores de confiança continuaram melhorando em janeiro, puxados pelo componente de expectativa. Por outro lado, os índices que mensuram a condição atual da economia mostraram dinâmica um pouco mais contida. Os dados de crédito apresentaram bom desempenho em dezembro, principalmente nas linhas ligadas ao crédito livre. Com isso, o crédito segue como vetor importante de recuperação da economia brasileira, através do consumo das famílias. O mercado de trabalho é o outro propulsor para o consumo e a taxa de desemprego caiu de 11,7% para 11,6%, na passagem de novembro para dezembro, considerando os ajustes sazonais.

 

  • Choques que impactaram a inflação continuam se dissipando, mantendo cenário benigno para o IPCA. O IGP-M subiu 0,48% em janeiro, mas mostrou deflação importante do preço das carnes no atacado. Essa redução de preços deve chegar ao consumidor no decorrer deste primeiro trimestre.

 

Perspectivas para a próxima semana

 

  • Os dados de inflação e atividade serão os destaques da próxima semana. Para o IPCA de janeiro esperamos alta de 0,34%. O número deve continuar mostrando desaceleração dos preços de alimentos e alguma descompressão dos núcleos. Para a produção industrial projetamos ligeira redução em dezembro, na margem, de 0,1%.
  • Na agenda internacional, destaque para os dados de mercado de trabalho nos EUA e balança comercial na China. A geração de emprego nos EUA deve continuar mostrando um bom dinamismo, enquanto que a balança comercial chinesa é um termômetro importante para a atividade no país neste começo de ano.
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