Governadores pedem reunião com Poderes para salvaguardar democracia

Fonte: Deustche Welle

Na tentativa de apaziguar tensão entre Poderes, Fórum de Governadores solicita encontro com Bolsonaro e chefes do Legislativo e do Judiciário. “Guerra entre autoridades” afasta investidores e mina empregos, argumentam.

Jair Bolsonaro (esq.) e do presidente da Câmara, Arthur Lira (dir.)
Além de Bolsonaro (esq.) e do presidente da Câmara, Arthur Lira (dir.), foram convidados para encontro com governadores os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e do STF, Luiz Fux

O Fórum Nacional de Governadores encaminhou na noite desta segunda-feira (23/08) pedidos para uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. O objetivo do encontro seria diminuir a tensão entre os Três Poderes e “identificar e pautar pontos convergentes e estratégias visando salvaguardar a paz social, a democracia e o bem-estar socioeconômico da população brasileira”, diz o documento assinado por Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal e coordenador do Fórum.

“Todos [os governadores] têm ideias muito boas, todos querem ajudar o Brasil. Acho que o momento que o país passa é um momento muito ruim. Quando aparece alguém que quer fornecer ponte nesse momento, em vez de implodir as pontes, pode ser uma saída para restabelecer o ambiente”, afirmou Rocha. O requerimento foi encaminhado após reunião nesta segunda entre os governadores de 24 estados e do Distrito Federal. Não participaram apenas os chefes dos Executivos estaduais do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL).  

“A defesa unânime dos governadores é da defesa da democracia, do respeito à Constituição e à lei”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), citado pela imprensa. “O objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, de serenidade onde possamos garantir a forma de valorização da democracia, mas principalmente criar um ambiente de confiança que permita atração de investimentos, geração de empregos e renda”, prosseguiu Dias. “O país, nessa situação, está fazendo investidores colocarem pé atrás, quando o que se precisa é gerar empregos. O Brasil não pode ficar nessa guerra entre autoridades.”

Na reunião do Fórum, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), alertou para o risco de infiltração de bolsonaristas nas Polícias Militares estaduais. “Aqui nós temos a inteligência da Polícia Civil, que indica claramente o crescimento desse movimento autoritário para criar limitações e restrições, com emparedamento de governadores e prefeitos”, afirmou. A ameaça de indisciplina nas PMs e de uma tentativa de golpe somou-se ao clima de tensão entre os Poderes para fazer soar o alerta entre os governadores. Espera-se que o encontro entre os representantes estaduais e os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário ocorra antes de 7 de Setembro, Dia da Independência. Bolsonaro anunciou que participará de atos pró-governo marcados para a data em São Paulo e Brasília.

Alegando que o sistema eleitoral atual é passível de fraude, o presidente insiste na defesa do voto impresso para mobilizar sua base, mesmo após a proposta ter sido rejeitada pela Câmara e após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ressaltar repetidas vezes que a urna eletrônica é segura e auditável.

Bolsonaro na mira do TSE e do STF

A reunião entre os Poderes foi solicitada pelos governadores três dias após Bolsonaro enviar ao Senado um pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. A iniciativa de Bolsonaro foi deflagrada após o Supremo e o TSE tomarem decisões que tentam limitar suas investidas contra as eleições de 2022 e instituições democráticas. A ação do Judiciário ganhou força a partir de 2 de agosto, quando o TSE autorizou a abertura de um inquérito administrativo, na esfera eleitoral, para apurar se Bolsonaro cometeu crimes aos fazer “relatos e declarações sem comprovação de fraudes no sistema eletrônico de votação com potenciais ataques à democracia”.

No mesmo dia, a Corte eleitoral enviou ao Supremo uma notícia-crime contra Bolsonaro pelo conteúdo de uma live na qual ele difundiu teorias e informações falsas sobre fraudes no sistema eleitoral. Reagindo ao pedido do TSE, Moraes incluiu em 4 de agosto Bolsonaro como investigado no inquérito sobre fake news e atos antidemocráticos, que já tramita na Corte sob sua relatoria. Em 9 de agosto, o TSE enviou uma nova notícia-crime ao Supremo, solicitando a apuração de suposto crime de Bolsonaro na divulgação, em suas redes sociais, de informações confidenciais de um inquérito da Polícia Federal que apura a invasão de um hacker ao sistema interno da Corte. Novamente, Moraes aceitou a notícia-crime e determinou a abertura de uma nova investigação contra o presidente.

Em 13 de agosto, Moraes autorizou a prisão preventiva do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e aliado de Bolsonaro, no âmbito de um inquérito que apura a atuação de milícias digitais, por fazer parte do “núcleo político” de uma organização criminosa digital que visa “desestabilizar as instituições republicanas”.

Nesta sexta, Moraes também autorizou, a pedido do Ministério Público, uma ação da Polícia Federal contra o cantor Sérgio Reis, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) e de outros oito bolsonaristas investigados por incitar atos contra a democracia e o Estado de direito.

lf/ek (Agência Brasil, ots)

Pesquisa XP/Ipespe – Agosto | 2021

Fonte: XP Política

A rodada de agosto da pesquisa XP/Ipespe mostra continuidade na tendência de crescimento das avaliações negativas do governo Jair Bolsonaro.

No levantamento atual são 54% os que dizem considerar o governo ruim ou péssimo contra 52% no mês passado. O crescimento na rejeição é constante desde outubro de 2020, quando 31% diziam considerar a gestão ruim ou péssima.

Na outra ponta, os que veem o governo como bom ou ótimo somam 23%, 2 pontos a menos que na pesquisa de julho. Os dois números são os piores para o governo desde o início da série. A insatisfação vem acompanhada de uma piora na percepção da direção da economia. O grupo dos que a veem no caminho errado, que vinha diminuindo a partir de abril, cresceu 4 pontos percentuais e chegou a 63%, mesmo patamar registrado em maio.

A visão contrasta com outros indicadores sobre a situação econômica: a percepção sobre as chances de manutenção de emprego, por exemplo, segue em tendência de alta desde maio. O grupo que vê possibilidade grande ou muito grande de continuar empregado chega a 56%.

Foram realizadas 1.000 entrevistas, de abrangência nacional, de 11 a 14 de agosto. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. A pesquisa registrou também estabilidade sobre o sentimento da população em relação à pandemia: o grupo dos que dizem estar com muito medo do surto oscilou de 38% para 39% — esta é a primeira vez desde abril que essa fatia dos entrevistados não reduz seu tamanho.

No mesmo assunto, a soma das pessoas que já se vacinaram com as que dizem que vão se vacinar com certeza atingiu seu maior patamar, chegando a 96%.

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