Alexandre de Moraes diz que “rachadinha” é corrupção “clara e ostensiva”

Fonte: Deustche Welle

Em decisão sobre inelegibilidade de vereadora paulistana, ministro do STF e TSE afirma que prática é contra “retidão e honestidade na conduta dos negócios públicos”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que, por lesar os cofres públicos, o esquema conhecido como “rachadinha”, no qual servidores entregam parte do salário aos parlamentares que os contrataram, pode tornar inelegível agentes públicos.

O tribunal determinou que a ex-vereadora Maria Helena Pereira Fontes, do PSL de São Paulo, acusada da prática, é inelegível conforme a lei da ficha limpa.

O acórdão foi publicado na quinta-feira passada (09/09) e divulgado pela imprensa brasileira nesta segunda. Nele, o relator, ministro Alexandre de Moraes, qualificou a prática da “rachadinha” de “clara e ostensiva modalidade de corrupção”.

Ele, assim como todos os demais seis ministros, votou a favor da inelegibilidade da ex-vereadora. O esquema lesou os cofres públicos paulistanos em R$ 146,3 mil.

“O esquema de rachadinha é uma clara e ostensiva modalidade de corrupção, que, por sua vez, é a negativa do Estado constitucional, que tem por missão a manutenção da retidão e da honestidade na conduta dos negócios públicos”, afirmou Moraes, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Caso Queiroz

A prática das rachadinhas ganhou notoriedade nacional por causa das acusações contra o senador Flávio Bolsonaro, que teria implementado o esquema quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O operador seria Fabrício Queiroz.

Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, e o pai, o presidente Jair Bolsonaro, também já foram acusados de implementar esquemas de rachadinha em seus gabinetes legislativos.

Nesta segunda-feira, o presidente da segunda turma do STF, ministro Kássio Nunes Marques, tirou da pauta de terça-feira um recurso que questiona o foro de Flávio no caso da “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Não há nova data.

Por meio do recurso, o Ministério Público do Rio de Janeiro quer saber do STF se a investigação de possíveis desvios de recursos públicos por Flávio deveria tramitar na primeira instância da Justiça ou se caberia a um órgão especial do Tribunal de Justiça do Rio.

O Ministério Público questiona decisão do Tribunal de Justiça que deu foro privilegiado a Flávio no suposto caso de “rachadinha” e argumenta que, quando a investigação foi aberta, em 2018, o investigado já não era mais deputado estadual.

A defesa do filho do presidente argumenta que, após o término do mandato de deputado estadual, ele assumiu um mandato de senador, o que mantém o seu direito a foro privilegiado.

CVM faz audiência para revisão das regras das ofertas públicas

juridico

A Comissão de Valores Mobiliários começou nesta quarta-feira (10/3) a audiência pública para o projeto de reforma do regime brasileiro de ofertas públicas. A iniciativa visa diminuir custos e começou a ser discutida em 2019.

Reforma

A reforma prevê hipóteses de ofertas com registro automática e simplificação do prospecto de ofertas públicas. Em comunicado, a CVM afirma que as exigências e informações serão moduladas em função do investidor alvo da oferta, da categoria do emissor, do tipo de ativo ofertado e da regularidade com que o emissor opera no mercado.

A CVM também quer tornar definitiva medidas que foram adotadas em 2019 como a análise confidencial da oferta, o fim da proibição de concessão de registros nos 16 dias que antecedem a divulgação de informações financeiras.

A audiência pública foi dividida em pontos de discussão. O principal cobre aspectos como: necessidade ou dispensa de registro das ofertas; ritos a serem seguidos para o registro; etapas necessárias à condução da oferta, deveres dos agentes envolvidos e também sobre as informações que devem ser prestadas pelos investidores.

Para o vice-presidente financeiro da consultoria Swot Global Consulting, Marcelo Fialho, que participou da audiência, “essas mudanças visam a facilitar o acesso ao mercado de ações e, consequentemente, uma captação de recursos mais baratas, favorecendo o crescimento e investimento por parte das companhias”.

A CVM vai receber sugestões e comentários do mercado até o dia 8 de julho no e-mail: audpublicaSDM0221@cvm.gov.br.

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