Mercados 13.04.2021

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Fonte: Infomoney

Futuros americanos mantêm-se estáveis à espera de dados de inflação em março nos Estados Unidos

Estados Unidos

Os índices futuros americanos mantêm-se estáveis nesta terça, enquanto os índices europeus têm leve tendência de alta. As bolsas asiáticas fecharam com resultados variados entre si. Os índices americanos mantêm-se estáveis nas negociações de premarket, em linha com o desempenho de segunda-feira. Investidores aguardam dados de inflação medida pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) relativo a março, que deve ser divulgado antes da abertura dos mercados.

É provável que os níveis de inflação nos Estados Unidos tenham retornado em março a níveis anteriores à pandemia. A expectativa é que se aqueçam mais nos próximos meses, com a reabertura da economia, alta da demanda e estoques em baixa. Consumidores vacinados poderão voltar a viajar e a realizar outras atividades que não são recomendadas aos não vacinados, o que pode criar uma alta temporária na inflação nos serviços. A expectativa de economistas ouvidos pela Dow Jones é de que a taxa global (sem ajustes referentes a sazonalidade) de inflação nos Estados Unidos se acelere 0,5% em março, na comparação mensal. Na comparação anual, a inflação deve ser de 2,5%, frente a 1,7% em fevereiro.O Fed vem afirmando que a alta da inflação é prevista e temporária, sinalizando de que a instituição não pretende intervir reduzindo estímulos aos mercados ou elevando a taxa de juros referencial.

Em um painel do Fundo Monetário Internacional na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell afirmou: “Nós queremos ver a inflação subindo a cerca de 2%. Em um nível sustentável. Nós não queremos simplesmente tocar esse patamar uma vez. Também queremos ver esse nível a caminho de se mover moderadamente acima de 2% por algum tempo. O motivo é que queremos uma média de inflação de 2%, com o tempo (…) A inflação tem se mantido abaixo de 2%. Nós queremos que ela fique moderadamente acima de 2%. É isso que buscamos. Esta é a situação que buscamos. E quando chegarmos a ela, será então que elevaremos as taxas de juros”. A aceleração da inflação é um dos maiores temores do mercado devido a seu potencial de corroer o valor dos ativos e as margens corporativas, e limitar o poder de compra.

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em alta na terça-feira, apesar da divulgação de dados indicando que as exportações chinesas saltaram 30,6% em março em relação a um ano antes, em dólares. O patamar fica abaixo da expectativa de alta de 35,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. As importações em dólares subiram 38,1% em março na comparação com um ano antes, excedendo a alta de 23,3% prevista por analistas. A China Eastern Airline anunciou na segunda-feira que elevará sua participação na europeia Air France KLM, após contribuir com US$1,2 bilhão sobre a emissão de ações.

Europa

Os mercados europeus têm leve tendência de alta, com o índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, subindo 0,24%. Ações do setor de tecnologia lideram os ganhos, com altas de 0,7%. Já as empresas de telecomunicação perdem 0,7%. Dados oficiais publicados na terça indicam alta de 0,4% no PIB do Reino Unido em fevereiro, levemente abaixo da expectativa de economistas, de expansão de 0,6%. A produção manufatureira aumentou 1,3%, acima da expectativa de ganho de 0,5%, enquanto a produção no setor de serviços cresceu 0,2%, abaixo das projeções de crescimento de 0,6%.

Problemas psicológicos, a outra epidemia ligada à covid-19

Por Deustche Welle

Não é só o corpo que sofre com o o vírus. Cada vez mais infectados, mesmo com casos leves, relatam sintomas como depressão e ansiedade. Um motivo a mais para evitar a doença, segundo estudo de Oxford.

Dificuldade para respirar, perda de paladar e olfato, fraqueza: sintomas físicos comuns entre infectados por covid-19. Caroline, uma médica da cidade alemã de Colônia, estava ciente dos riscos que o vírus representava. Mas diz que se preocupava mais com os idosos próximos a ela e outros grupos de risco.

“Eu pensava: ‘Sou jovem, não tenho pré-condições, sou atlética – se eu pegar, provavelmente não será tão ruim assim'”, afirma a alemã de 39 anos. “Eu pessoalmente não tinha tanto medo de me infectar”.

Caroline foi diagnosticada com covid-19 em janeiro. A doença não apresentava inicialmente sintomas graves. Ela teve febre leve, dores de cabeça, garganta irritada. O que ela não esperava eram os ataques de pânico e a depressão.

Um estudo da Universidade de Oxford, publicado na revista The Lancet Psychiatry, mostrou que Caroline não está sozinha. Longe disso: os pesquisadores analisaram os registros eletrônicos de saúde de mais de 236 mil pacientes de covid-19, a maioria dos EUA, e descobriram que 34% haviam sido diagnosticados com problemas psiquiátricos ou neurológicos dentro de seis meses após terem sido infectados por coronavírus.

Condições neurológicas como derrame e demência foram raras. Mas 17% dos pacientes de covid-19 foram diagnosticados com distúrbios de ansiedade e 14% com distúrbios de humor, incluindo depressão. Os pesquisadores de Oxford também analisaram dois grupos de controle de pacientes com gripe e pacientes com qualquer infecção do trato respiratório (exceto covid) para ter certeza de que seus números não refletissem apenas a experiência do público em geral vivendo em meio a uma pandemia.

“Nossos dados realmente chamam a atenção para a escala do problema”, disse o autor principal do estudo, Paul Harrison, da Universidade de Oxford, à DW. “Isso destaca a ideia de que a covid-19 tem consequências para as pessoas, mesmo que elas não vão parar no hospital”.

“Comecei a ter ataques de pânico

Caroline nunca foi hospitalizada, mas ela lutou seriamente com problemas de saúde mental durante e após a infecção. Apesar de os sintomas físicos não terem sido sérios, ela diz que realmente teve que batalhar psicologicamente. Ela foi a única em sua família a pegar o vírus e teve que se isolar completamente do marido e dos filhos. Ela não conseguia adormecer sem comprimidos e disse que se tornou uma pessoa mais medrosa e deprimida do que antes.

“Eu continuava pensando: ‘Você tem uma doença da qual todas essas pessoas estão morrendo'”, conta Caroline. “Eu acordava frequentemente à noite e entrava em pânico. Eu pensava que estava tendo um derrame cerebral, não podia me mover e estava presa neste mundo entre o sonho e a realidade. Eu nunca tinha tido estes ataques de pânico antes”.

O americano Lawrence, de 29 anos, também nunca havia lidado com problemas de saúde mental antes da pandemia. Quando a covid-19 começou a se espalhar nos EUA, ele passou a sentir ansiedade, mas “ainda era controlável neste ponto”, afirma à DW.

Então sua sogra morreu de covid -19, e em dezembro, Lawrence e seu marido pegaram o vírus também. Inicialmente, ele não estava muito mal, mas o vírus acabou afetando seus pulmões. “E, como eu tenho asma, começou a tomar conta”, lembra. “Quando minha respiração se tornou mais difícil, comecei a ter ataques de pânico, o que eu nunca tinha tido antes”, diz.

Lawrence também sofria de ansiedade, e não conseguia mais se concentrar em seu trabalho. Depois de um mês de luta, ele finalmente foi ver um médico, que lhe prescreveu medicação antiansiedade.

“Embora eu não possa dizer que isso estava diretamente relacionado à covid-19, a doença fez com que minha ansiedade chegasse ao auge, ao ponto de eu decidir que precisava buscar ajuda médica”, diz.

Caroline, que teve o apoio de sua irmã, uma psicóloga, também não conseguiu identificar o motivo exato da ansiedade. “Não tenho certeza se foi causada pela situação geral – quarentena, o diagnóstico e toda a cobertura da mídia”, diz ela, “ou se foi causada pela própria doença”.

“Tomem a vacina”, diz pesquisador

O professor Harrison considera “ambas as explicações bem possíveis”.

“Para a ansiedade e a depressão, lidar com o estresse de saber que você tem covid, ter que se isolar, preocupar-se com seu trabalho, seu futuro, sua saúde: essa é a explicação mais provável para esses diagnósticos”, analisa o pesquisador.

A teoria de que as circunstâncias externas são as principais responsáveis pelas condições de saúde mental nos pacientes é de certa forma confirmada por outra pesquisa de Harrison. Não houve diferença significativa no número de pessoas com ansiedade e depressão encontradas em pacientes com covid-19 leve, aqueles que tiveram que ir ao hospital e aqueles que tiveram que ser colocados numa UTI.

Harrison afirma que as possíveis consequências para a saúde mental são mais um motivo para estar atento às precauções e “evitar a covid por todos os meios possíveis”.

“Tome a vacina que lhe é oferecida”, implora Harrison. “Os riscos da vacina, ao meu conhecimento, são infinitamente menores em comparação com os riscos da covid. E se lhe for dito para se isolar, eu sugeriria que você fizesse o que foi dito. Assim estaríamos todos melhor”.

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