Cuidados necessários com a saúde de animais idosos – Por Vilma Costa

Os absurdos motivam meus escritos, talvez, na tentativa de não ouvi-los mais ou quem sabe, e neste eu acredito mais, na esperança de que os animais realmente sejam tratados de forma digna, tanto por médicos, quanto por aqueles que possuem suas guardas e aí então, não ouvirei mais absurdos como o desta semana.Proprietária liga em meuconsultório e pede para falar comigo: “ Bom dia doutora! O T… não está andando, não quer comer”. Questiono sobre o tratamento de dor, pois trata-se de um paciente de 13 anos com  várias lesões de coluna e doença articular degenerativa. “
 
Olha doutora, vou ser sincera, parei há algum tempo, coitado, tomando aqueles remédios…e mais, não vou levá-lo a nenhum veterinário, só liguei pra saber qual remédio posso dar pra ele.”
 
Minha formação acadêmica e meu código de ética não permitem que eu julgue ninguém, mas neste caso abri uma exceção. Espero que esta pessoa jamais sinta dor em toda a sua vida, ainda que envelheça. Esta pessoa espalha ao vento que é protetora e que faz de tudo por seu cão.Não sei se o termo correto é moda, mas enfim, o tema maus tratos está em alta, porém, quando os animais envelhecem, até mesmo o mais protetor e defensor dos animais pode negligenciar seu sofrimento, ignorar sua dor, nem os médicos veterinários estão preparados para promoverem o alívio e manter a dignidade e qualidade de vida de seus pacientes idosos.Uma das principais causas de negligencia é cultural. Quem nunca ouviu dizer que é normal sentir dor na velhice? Que algumas doenças se desenvolverão mesmo em idosos? Mentira! Sentir dor não é normal!
 
Dor é um sinal, aliás é considerada como o 5º sinal vital, porém, a dor crônica, comum em idosos, é considerada doença é deve ser tratada. Suas consequências envolvem doenças cardíacas, hepáticas, renais e respiratórias.Negligenciar a dor é uma forma de maus tratos, compromete a qualidade de vida e desencadeia ou agrava outras doenças. Isso sem mencionar o sofrimento do idoso que em geral, sofre calado. Sim, animais idosos, são bem semelhantes aos humanos idosos, raramente se queixam de dor. Mais um motivo para que a dor seja ignorada, o portador de dor crônica não a manifesta, mas ainda assim emite sinais, que nem sempre o
proprietário consegue notar.Animais com dor, tendem a comer menos, permanecer mais tempo deitados, não demonstram a mesma felicidade de antes com a chegada do dono, podem emitir sons diferentes (resmungam,
choram) à noite, podem para de defecar e urinar; cães de grande porte, podem demonstrar agressividade, alteração de comportamento. Se nenhuma dessas alterações forem notadas, não significa que a dor não esteja presente. 
 
Então o que fazer? Muito simples! Faça uma comparação com o sofrimento humano: tem câncer? Segundo humanos portadores de câncer, a dor está presente desde o primeiro instante em que se instala. Então, animais portadores de câncer também sentem dor, merecem e necessitam de tratamento, não apenas para a cura do câncer, mas para alívio da dor. Em casos de câncer incurável, inoperável, além da dor fisiológica, há ainda a dor psicológica, solitária, imensurável, incapaz até de ser descrita por pacientes humanos doentes. Hérnia de disco, bico de papagaio, também são doenças comuns aos animais domésticos, muitos perdem a mobilidade devido as dores e nem mesmo assim, são tratados. Doenças degenerativas como artrose, são bastante comuns em cães idosos. Em todos os casos, a dor é uma companheira inseparável. 
 
 Muitas vezes quando o animal recebe um diagnóstico correto e um tratamento é proposto, muitos proprietários acham que é frescura, um exagero, desnecessário.Não tratar a dor é desumano, desleal; negligenciar a dor de seu próprio companheiro de estimação é imoral e deveria ser ilegal também, se enquadrando à leis de maus tratos.A dor é individual, é cultural, portanto uns podem ser mais tolerantes a dor do que outros. Um bom exemplo disso, são as  mulheres orientais, elas entram lindas e bem arrumadas na maternidade, calmas e tranquilas. Ao exame, o médico constata que já está em trabalho de parto e a criança está prestes a nascer. Já as brasileiras, chegam à maternidade carregadas por seus companheiros, empurradas em cadeiras de rodas, gritando, mas, ao exame, o médico constata que não passa de um alarme falso, nada de criança. Culturalmente as mulheres orientais não expressam seus sentimentos, são educadas assim. Culturalmente as brasileiras são bem expressivas. Mas quem sente mais dor? Nem sempre é possível avaliar, mas neste caso é possível afirmar que é a mulher oriental.
 
Cuide, observe, não permita que seu companheiro se sinta só, abandonado, no momento da vida em que já não se sente capaz de cuidar de sua família humana, na fase da vida em que mais necessita de cuidados. A dor mata lentamente, de forma cruel e assustadora.

 

Como diz o médico veterinário
Pablo Otero, a única dor fácil de suportar é a dor alheia.

Cuidado! Produtos sem rótulo podem colocar em risco a vida do seu animal de estimação – Por Vilma Costa

Esta semana atendi um
filhote de 3 meses que deu entrada em meu consultório apresentando convulsões.
O proprietário relatou que o mesmo estava normal antes de aplicar um produto
contra pulgas e carrapatos que ele adquiriu em um pet shop. Realizei o
atendimento de emergência e solicitei que o proprietário fosse em casa buscar a
embalagem do produto. Na embalagem, um frasco utilizado em amostras grátis de
perfumes, havia apenas a informação de que havia fipronil, indicado para cães
entre 15 e 30 kg válido até 2015. Nenhuma informação sobre o fabricante,
efeitos colaterais, nada.
O filhote pesava 1,5
kg, mas o atendente, disse que não havia problema, bastava utilizar uma
quantidade pequena e nada de ruim aconteceria. Por sorte, o animal sobreviveu,
os donos estavam em casa e tiveram tempo para procurar atendimento adequado.
Há dois anos, um
outro filhote, não teve a mesma sorte. Foi atendido no balcão de um pet shop,
por uma pessoa desqualificada que aplicou ivermectina para tratar sarna que ele
mesmo diagnosticou. Após aplicação o animal ficou cego e entrou em crise
convulsiva, ficou internado três dias e faleceu.Os oportunistas se
aproveitam de duas características das pessoas: falta de informação e achar que
está levando alguma vantagem.
Algumas pessoas
preferem este tipo de atendimento por entenderem que os médicos veterinários
apenas querem seu dinheiro, quando na verdade, os práticos é que desejam apenas
o dinheiro das pessoas. Nós, médicos veterinários, trabalhamos para manutenção
e restabelecimento da saúde dos animais, mas precisamos sobreviver, por isso
cobramos por nossas consultas. Pensar neste tipo de
economia é expor seu animal ao risco de morte. Somente um médico veterinário
tem condições e conhecimento para diagnosticar e tratar doenças. Realizo vários
atendimentos de animais intoxicados por seus próprios donos, dentro de casa,
devido ao uso de parasiticidas não indicados para raça ou para o peso, em
muitos casos, os donos aplicam no corpo do animal, venenos que tem indicação
apenas para uso ambiental, ou seja, apenas para passar no piso.
Nem todos sobrevivem,
mas quem vendeu e ensinou a utilizar assim, encorajou o dono a aplicar em seu
cão, sobrevive, raramente são denunciados e um dos motivos principais é a
certeza que a pessoa lesada tem, de só ter passado por isso, por achar que iria
levar uma vantagem, iria economizar dinheiro. Injeções
anticoncepcionais, medicamentos abortivos, vacinas, muitos leigos estão
negociando e aplicando estes produtos nos balcões dos pet shops
indiscriminadamente, sem nenhuma fiscalização ou punição.
Os proprietários que,
na grande maioria, são leigos, acreditam que estão promovendo o bem, descobrem
que estam matando aos poucos ou expondo ao risco de morte, quando procuram um
médico veterinário e recebem o diagnóstico de neoplasia mamária (tumor de mama),
das cadelas que receberam injeções anticoncepcionais ao longo da vida; ao
presenciarem parto prematuro ou nascimento de filhotes deformados ou
natimortos, em cadelas que receberam aplicações de medicamentos abortivos pós
cobertura (cruza); ao receberem o diagnóstico de virose, em animais que
receberam vacinas contra estas viroses.

 

Fica o alerta!
Procure sempre atendimento especializado, não confie a saúde do seu companheiro
a uma pessoa sem qualificação e conhecimento técnico. Pague sim por este
atendimento, valorize o profissional, ele é responsável pela saúde do seu
animal tanto quanto você.
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