Zé Paulo entrevista a ativista dos direitos dos animais Shaiane Novais

 
Zé Paulo – Este amor pelos animais começou quando?
Shaiane  Novais –  Primeiramente gostaria muito de agradecer a oportunidade de estar em seu blog. Acho que o meu amor pelos animais, veio desde pequenina. Desde novinha morava em uma Usina, onde o abandono sempre foi uma coisa vista como “normal”, eram vários animais abandonados. Recordo-me bem que com cinco anos de idade, meu pai chegou com uma vira-latinha em casa, em uma caixinha, a mãe havia morrido e ele havia pegado a filhotinha para cuidar. Esse foi o meu primeiro exemplo, e desde então comecei a alimentar os
animais que ficavam na Usina, mas sem compreender o que aqueles animais faziam ali, que no momento, para mim parecia normal.
 
Zé Paulo Em qual momento decidiu se engajar na luta pelos direitos deles?
Shaiane  Novais – Isso foi em torno dos meus 19 anos. Aos ver tantos animais abandonados em minha cidade, decidi tentar agir de alguma forma. Eu, uma amiga e minha irmã, montamos um projeto que de inicio não saiu do papel. Logo após, ajudamos uma ONG em nossa cidade. Em 2007 fui a um seminário do Projeto Focinhos Gelados, que me abriu a mente completamente para focarmos na educação, que a meu ver hoje, é a única forma de solucionarmos todos os problemas de nosso mundo de uma forma geral. Quando digo isso, muita gente me pergunta se eu não dou importância ao resgate dos animais, e digo que sim, tanto que eu ajudo os animais resgatando e auxiliando quem resgata. O problema é o comodismo da população. Vou dar um exemplo prático para vocês entenderem. A um tempo atrás, recebi uma ligação de uma mulher, e ela solicitava que eu pegasse toda a ninhada da cachorra dela. Expliquei a situação e informei que não fazíamos resgates de animais que tinham donos, e então ela me informou que estaria jogando os filhotes na rua, pois ai eles seriam tratados como abandonados e nós recolheríamos. Infelizmente a população é muito acomodada, não tem sensibilidade e respeito a vida. Para mim, uma ONG só funciona se ela estiver um trabalho educativo interligado a ela. Quando eu digo que a ONG só funciona com o trabalho educativo interligado eu quero dizer no resultado final. Você recolhe um animal e consegue um lar para ele, ao mesmo tempo, está sendo abandonado mais de 5 animais, é nesse sentido que eu gostaria que as pessoas entendessem, se não houver conscientização, o abandono nunca chegará ao fim. Foi depois de muito estudo, que criei o Projeto Educacional Animais de Companhia (PEAC) onde atendemos mais de 30 crianças.
Zé Paulo – No seu perfil no Facebook é possível observar que você posta fotos de animais que precisam de ajuda e /ou estão abandonados. Como estas informações chegam até você?
Shaiane  Novais –Muitos dos animais publicados lá são de amigas protetoras, que me marcam nas fotos e solicitam ajuda para os compartilhamentos. Outros são de animais de meu antigo trabalho, onde cuidamos de mais de 10 animais, hoje Graças a Deus o número diminuiu, pois castramos todas as fêmeas e alguns foram doados.
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Zé Paulo – Este trabalho está dando resultado? Compartilhe conosco eventos marcantes desta trajetória.
Shaiane  Novais – O trabalho tem sim seus resultados. Onde eu trabalhava por exemplo, praticamente não temos mais filhotes, pois todas as fêmeas foram castradas. A castração é um ato realmente de amor, tínhamos todos os meses ninhadas de cães, e com as castrações o número caiu para praticamente zero, fora que o animal fica muito mais saudável e previne diversas doenças. Já o PEAC teve seus frutos, é incrível como as crianças se apaixonam, como elas se abrem a proposta. Tivemos crianças que disseram – MEU PAI PRECISA SABER DISSO -, e alguns pais já chegaram a conversar comigo sobre o assunto. Por isso que não vejo resultado somente no resgate dos animais, é um ato importante sim, mas precisamos abrir o coração das pessoas para o tema, para a causa, para a realidade, e a melhor forma de fazermos isso é na educação e conscientização principalmente das crianças.
 
 
 
 
Zé Paulo – É  possível notar que os animais de estimação passaram a ser tratados como membros da família, mas ainda existem aqueles que são abandonados por seus “donos”. De acordo com suas experiências, quais as principais causas deste ato? 
Shaiane  Novais – Infelizmente é a compra por impulso, a adoção por impulso. Muitos compram animais pois estão na moda ou por que são bonitinhos. a.Adotam pois ficaram surpresos com a história triste do animal e depois de um tempo enjoa. Isso acontece muito, já aconteceu com um dos animais que eu mesma doei. A cachorra que me foi devolvida ficou triste uns 10 dias, sem brincadeira, as pessoas não tem noção do quando os animais se sentem, e a rejeição é uma coisa que eles também podem sentir.
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Zé Paulo  Quais as principais dicas para as pessoas que desejam ter um animal de estimação? 
Shaiane  Novais – Primeiro Zé tem que se estar consciente de que o animal vive de 15 a 20 anos. Se o animal for filhote tem que ter consciência que ele é super ativo e vai querer brincar, passear, realmente como uma criança. Esse cãozinho/gatinho precisam de uma boa alimentação, cuidados veterinários e de muito amor e carinho. Vocês tem condições de proporcionar tudo isso ao novo amigo? Essas são coisas básicas que todos devem saber antes de adotar um animalzinho. E lembre-se sempre, ninguém gosta de ficar preso, então tenha um local onde seu animal possa ficar solto, nunca se esquecendo de colocar a coleira e a plaquinha de identificação com o nome do animal e o telefone. Para os gatinhos é muito importante telar todos os locais acessíveis as ruas, para que ele não possa escapar e é claro, castre e adote sempre!
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Zé Paulo – E para aqueles que encontram um animal abandonado, como podem ajudar?
Shaiane  Novais – Eu sempre peço para que as pessoas ajudem resgatando esse animal, levando ao veterinário e dando um Lar Temporário até que se consiga um novo dono para ele. Depois que o animal estiver saudável para adoção, tire a foto e poste nas redes sociais, envie aos amigos por e-mail, muitos lares responsáveis são conseguidos dessa forma e é muito gratificante. Nunca digo para levar para as ONG`s, pois hoje elas se encontram em super lotação. O Canil Municipal de nossa cidade eu optaria somente em casos extremos, de não haver como ninguém recolher. Afinal nada como uma casa com muito carinho para quem estiver doente. Zé, muito obrigada pela oportunidade, ficando alguma dúvida vocês podem entrar em contato comigo pelo e-mail peac.stz@hotmail.com Abraços a todos os leitores e leitoras!!!!  Adotar e castrar é um ato de amor!

Zé entrevista o economista Jorge Silva

 

Zé Paulo – Por qual razão decidiu estudar economia?
Jorge Silva – Primeiramente gostaria de agradecer o convite e a oportunidade para expor algumas ideias e opiniões através do seu blog. Bom, sempre gostei de acompanhar o noticiário econômico e também político do nosso país. Quando jovem enquanto meus amigos e até a família preferiam programas de entretenimento na TV eu buscava os noticiários, então foi a partir dessas experiências que optei pela Economia. No entanto, pensei anteriormente em outros cursos como administração e jornalismo, este último justamente pela possibilidade de poder falar sobre política e economia, mas durante o cursinho pré-vestibular descobri que eu poderia ir mais além, poderia atuar no meio e poder de alguma forma ajudar a mudar a triste realidade da nossa nação.
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Zé Paulo – Qual sua avaliação da política econômica adotada pelo governo da presidente Dilma?
Jorge Silva – A política econômica do governo Dilma tentou nos primeiros anos seguir a herança do antecessor, porém, nota-se que perderam o controle, especialmente sobre as contas públicas, o que é um risco. Infelizmente hoje vemos que algumas conquistas de governos anteriores estão sendo usurpadas por medidas desastrosas e danosas em médio prazo, como o controle da inflação através de medidas que buscam administrar preços, evitando o reajuste hoje, mas que serão efetuadas em outro período certamente com impacto ainda maior. Já tivemos essas experiências e não temos boas lembranças. Hoje vemos o descontrole das contas públicas enquanto a sociedade é onerada demasiadamente, não vemos responsabilidade alguma, pagamos altos impostos e recebemos praticamente nada de retorno, e o pouco que recebemos é de forma inadequada, com mau uso da verba e desvio de grande parte dela, resumindo a política fiscal expansionista do governo se mostra ineficaz. De outro lado temos uma política monetária que lança mão do aumento da taxa de juros para compensar as medidas desastrosas do ponto de vista fiscal, para tentar manter a inflação sob
controle. Nesse contexto temos, como sempre, uma sociedade cada vez mais onerada, um governo irresponsável com as contas públicas e um país com crescimento pífio, o qual perdeu mais uma vez a oportunidade de se desenvolver mais e obter maior visibilidade no cenário econômico mundial enquanto o resto do mundo estava em crise.
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Zé Paulo – Aponte os pontos fracos e fortes da gestão petista na presidência.
Jorge Silva – É muito difícil apontar pontos fortes em qualquer administração pública, mas na petista tem sido ainda mais difícil. Tivemos em governos anteriores alguns pontos importantes e que são mantidos até mesmo pela atual administração, neste sentido acredito que o ponto forte seja a manutenção das medidas benéficas ao país adotadas em governos anteriores, como o controle inflacionário e as políticas sociais. Como pontos fracos podemos citar vários, não só dos petistas, mas também dos antecessores. Especialmente dos petistas cito o aparelhamento do Estado, os descasos com a saúde e com a infra-estrutura do país e os casos de corrupção que assolaram a classe política, sempre protegida pelo governo federal com tentativas de desqualificar qualquer fato, mesmo que escancarado para a sociedade. Outro destaque é o uso da política social com meio para se manter no poder. As políticas sociais são necessárias, porém, são necessárias medidas para que isso não se perpetue e as pessoas não se acomodem por receber mensalmente dinheiro para se sustentar sem ao menos pensar em sair dessa situação. Hoje as famílias recebem dinheiro por terem filhos e não são preparadas ou qualificadas para retornar ao mercado de trabalho. Mas o que acontecerá com os filhos desses cidadãos? Como sobreviverão quando adultas sem uma comunidade desenvolvida ou preparada para absorver sua mão de obra? Que qualificação esse cidadão terá? Ou seja, temos assim uma forma moderna do voto de cabresto, mantendo cidadãos reféns de uma “esmola”, sem pensarem nos impactos futuros.
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Zé Paulo – Recentemente uma ala do PMDB ensaiou com alguns membros da base aliada uma “rebelião” contra o governo federal.  Com alguns acordos esta crise foi debelada.  Qual sua opinião sobre nosso congresso nacional e a maneira pela qual a situação consegue apoio?
Jorge Silva – Isso é apenas um pequeno exemplo da falta de caráter da classe política. Não devemos focar apenas no Congresso Nacional, pois temos exemplos em todas as camadas, principalmente às vésperas de eleições. Podemos citar as articulações no estado de São Paulo, onde ex-aliados, se tornaram rivais e hoje articulam em busca de segundos a mais na propaganda eleitoral. Infelizmente tivemos nos últimos anos uma oposição covarde que se esconde atrás de seus maus feitos do passado, como uma pessoa que não pode contar o segredo de outra porque esta sabe de coisas que podem prejudicar sua imagem. Temos uma busca incessante por acordos entre partidos quando estes acordos são para os interesses deles próprios, quando o interesse é da sociedade não vemos a mesma energia para negociações, mas sim a postergação do assunto até que caia no esquecimento. Pensamos em mudanças, mas infelizmente não temos muitas opções que mereçam nosso voto, está cada vez mais difícil. No entanto, não devemos cair no erro de não querer saber de política, se queremos mudar algo devemos nos interessar e participar. Se não temos opção, devemos ser a opção.
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Zé Paulo – Focando agora na política estadual em São Paulo, você concorda com a ideia que está sendo disseminada pelos adversários do Geraldo Alckmin que após 16 anos no poder o PSDB esgotou seu “estoque” de capital político? Comente os pontos positivos e negativos da gestão tucana em São Paulo.
Jorge Silva – Sempre fui a favor da mudança. Não podemos manter no governo um partido por tanto tempo, por mais que este tenha feito algo bom para a sociedade. Não devemos confiar em alguém durante 16 anos sem nunca mexer nas suas gavetas, a não ser que você não queira realmente descobrir algo. Não precisamos sequer chegar ao fim desse ciclo e já vimos os diversos casos de corrupção envolvendo o partido do governo e seus aliados, foi muito tempo sem abrir a gaveta. O governo tucano não foi dos piores, foi feliz em alguns pontos principalmente no que tange a mobilidade urbana. Fez boas ações também com a implantação do Poupatempo e do Bom Prato. Pouca coisa para quem está há 16 anos no poder. Como pontos negativos temos muitos. Um deles a educação, a qual está cada vez pior, os professores estão desmotivados, os alunos desinteressados e o sistema de avaliação é péssimo. Outro ponto negativo é a segurança pública, a sociedade vive cada mais insegura e quem deveria atuar na proteção está atuando na opressão, às vezes fica difícil confiar. Por último os diversos casos de corrupção e falta de clareza e interesse do governo em punir os envolvidos, o que nos leva a dúvida quanto ao envolvimento dos membros do alto escalão.
 
Zé Paulo – A jornalista Raquel Sherazade defendeu durante a exibição de um telejornal que a população por está indignada com a violência e a ausência do poder publico adote a prática da de fazer  justiça com as próprias mãos. Como você avalia este comportamento?  
Jorge Silva – É um comportamento perigoso, tanto o da jornalista quanto o da sociedade. Por um lado a jornalista tem um grande poder nas mãos, ela consegue difundir sua opinião para todo o país e até fora do país, principalmente nos dias de hoje que temos a internet como principal canal. Por outro lado temos uma sociedade cansada de injustiças, mas que na maioria não se preocupa em saber se aquela opinião é ou não cabível, ou se aquele fato é ou não verdadeiro, podendo cometer injustiça com as próprias mãos. Como exemplo, podemos citar o trágico acontecimento no Guarujá (SP), onde uma inocente foi cruelmente morta devido uma notícia mal divulgada. É preciso pensar, avaliar mais de uma opinião ou fonte sobre determinados assuntos e pensar nas consequências que as postagens em redes sociais ou outros canais podem tomar. Não adianta também a sociedade se rebelar contra seus próprios pares enquanto os verdadeiros inimigos estão sentados confortavelmente em seus luxuosos gabinetes (nas raras vezes que comparecem a eles).
  
Zé Paulo é economista e editor deste blog.  Jorge Silva também  é economista.  Ambos são formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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