18 de maio de 1883: Nasce o arquiteto Walter Gropius, fundador da Bauhaus

Fonte: Deustche Welle

O arquiteto alemão Walter Gropius, fundador da mais importante escola de design e arquitetura do século 20, a Bauhaus, nasceu em 18 de maio de 1883

Walter Gropius, 1933

Mais conhecido como o pai da Bauhaus, importante escola que marca até hoje a produção de design e arquitetura, o arquiteto Walter Gropius se dizia americano desde sua emigração forçada para os EUA, em 1937.

Originário de tradicional família de Braunschweig, Gropius nasceu em Berlim, em 18 de maio de 1883. Quando veio ao mundo, seu tio-avô, Martin Gropius, já havia construído um dos mais belos e célebres prédios da capital alemã, o espaço de exposições que hoje é conhecido pelo nome de Martin Gropius Bau.

A fundação da Bauhaus, em 1919, pode ser entendida como um resumo das ideias que o arquiteto vinha amadurecendo desde seu trabalho junto a um dos precursores do movimento moderno, o arquiteto Peter Behrens. Além de Gropius, trabalhavam no escritório de Behrens, por volta de 1910, Le Corbusier e Mies van der Rohe.

Superação do dilema artístico

Quando se tornou o primeiro diretor da Bauhaus de Weimar, fusão da Escola de Artes Aplicadas e da Academia de Belas-Artes da Saxônia, Gropius trazia consigo, apesar da pouca idade, as melhores qualificações.

Para dirigir e estabelecer o programa de ensino da escola fundada para superar o dilema artístico na produção industrial e de arquitetura, sua experiência no escritório berlinense de Behrens foi essencial.

No escritório de Behrens, ele havia participado do histórico projeto para a companhia de eletricidade AEG, onde o design industrial fora introduzido pela primeira vez. Tratava-se não somente de um projeto arquitetônico para a fábrica de turbinas, mas de seu completo design corporativo: de aparelhos elétricos a logotipos do papel de carta.

Em 1910, Gropius abriu seu próprio escritório de arquitetura. Dois grandes projetos marcaram sua produção anterior à Primeira Guerra. A fábrica Fagus de 1911, em Alfeld/Leine, um dos primeiros projetos que usaram o ferro e o vidro de forma moderna, e um projeto de fábrica para a exposição do Werkbund de 1914, em Colônia.

Era de mudanças

Em 1915, Gropius casou-se com Alma Mahler, ex-mulher do compositor Gustav Mahler, de quem veio a se separar oito anos mais tarde. Após a guerra, quando Gropius voltou como oficial altamente condecorado, participou do assim chamado Grupo de Novembro, cujo objetivo era absorver os impulsos da revolução de novembro de 1918, que derrubou a monarquia na Alemanha. Foi nesta era de mudanças que nasceu a Bauhaus.

A escola surgiu sob a ideia da “grande construção” e representava a corrente da Nova Objetividade. Seu lema inicial era construir a “catedral do futuro” ou “catedral do socialismo”. Inspirada nas construções das catedrais medievais, a Bauhaus procurava reunir artes e ofícios para atender à sociedade do futuro, pacífica e sem contradições.

Interesses da indústria

Gropius dirigiu a Bauhaus até 1928. Nos primeiros tempos, seus conceitos foram influenciados pela ideia da “obra de arte total” propagada pelo compositor Richard Wagner no século anterior, e pela superação dos estilos históricos na arte através da transformação da vida numa experiência estética, difundida pelo filósofo Friedrich Nietzsche. Em sua segunda fase, a Bauhaus logo sucumbiu aos interesses da indústria.

Acusada de “bolchevismo” e “judaísmo” pelo governo conservador de Weimar, a escola mudou-se para a liberal Dessau em 1925, onde Gropius projetou sua famosa sede funcionalista. Em vez da “catedral do futuro”, lema inicial da Bauhaus, a escola passou a defender a integração da arte com a técnica.

Abandonado pelos sindicatos e trabalhadores e perseguido pelos conservadores, Gropius encontrou refúgio, e financiamento, nos industriais. A forma passou então a seguir a função. A política, no entanto, não deixou de marcar tanto o início quanto o fim da escola, fechada pelos nazistas em 1933, que consideravam o modernismo “coisa de comunista”.

Princípios funcionalistas e universalistas

Com medo de perseguições, Gropius se exilou na Inglaterra em 1934. Os projetos residenciais e escolares da época, que fez juntamente com o arquiteto inglês Maxwell Fry, influenciaram bastante a arquitetura local.

Em 1937, ele aceitou um convite da Escola de Arquitetura da Universidade de Harvard nos Estados Unidos. Gropius tornou-se diretor do departamento em 1938, cargo em que permaneceu até 1952.

Por ocasião da 2ª Bienal de São Paulo, em 1953/54, Walter Gropius foi ao Brasil para o júri do prêmio de arquitetura. A visita do primeiro diretor da Bauhaus à Casa de Canoas de Oscar Niemeyer nada agradou ao arquiteto brasileiro.

Precursor do funcionalismo e opositor do individualismo na arte, Gropius afirmou a Niemeyer: “Sua casa é bonita, mas não é multiplicável”. Em seus escritos, Niemeyer comenta assim o ocorrido: “Como alguém pode falar tanta burrice com ar de seriedade? Como pode ser multiplicável uma casa que se adapta tão bem ao terreno?”.

Com ou sem razão

Com razão ou não, Gropius permaneceu fiel aos princípios funcionalistas e universalistas até sua morte, em 5 de julho de 1969. Além de inúmeros projetos nos Estados Unidos e pelo mundo afora, o arquiteto alemão, que desde sua emigração aos 54 anos para os EUA se dizia americano, realizou importantes projetos em Berlim.

Entre eles, o prédio residencial para a exposição de arquitetura Interbau em 1957, o prédio do Arquivo da Bauhaus e um conjunto habitacional de 18,5 mil moradias no bairro de Neukölln, que hoje leva o nome de Gropiusstadt ou Cidade de Gropius.

12 de maio de 1881: Tunísia tornava-se protetorado francês

12 de maio

Fonte: Deustche Welle

No dia 12 de maio de 1881, a Tunísia tornou-se protetorado francês. Nos bastidores, estava o alemão Otto von Bismarck, que desviava a atenção dos franceses para a política colonial, a fim de afastar as tensões de Berlim.

A corrida das nações europeias por um lugar ao sol começou nas duas últimas décadas do século 19, mais exatamente após o Congresso de Berlim, em junho/julho de 1878. A ameaça de uma grande guerra pairava no ar. O “equilíbrio de forças”, que desde o Congresso de Viena em 1815 garantia relativa estabilidade na Europa, balançava após a vitória da Prússia sobre a França. A Alemanha ambicionava tornar-se potência hegemônica.

O papel de Bismarck

O chanceler imperial Otto von Bismarck, que em 1875 provocara a França, ansiosa por uma revanche, tentava acalmar os vizinhos. Após as guerras de unificação contra a Dinamarca (1864), a Áustria (1866) e a França (1870/71), ele garantiu que a Alemanha estava “saturada”: “A Alemanha não tem intenção de fazer novas conquistas”. Em Berlim, ele se apresentava como um “corretor sincero, realmente interessado no fechamento do negócio”. O “negócio” em questão era salvar a ameaçada paz europeia (sobretudo depois da guerra russo-turca) e, ao mesmo tempo, repartir o mundo entre as grandes potências.

O Império Otomano – a esta altura conhecido como “o doente da Europa” – perdera seus últimos territórios nos Bálcãs após o acordo de paz de San Stefano, imposto pela Rússia. A Inglaterra e a Áustria protestavam contra o crescente poder da Rússia que, ironicamente, mantinha desde 1872 uma tríplice aliança imperial com a Áustria e a Alemanha. O pesadelo de Bismarck era um conflito com duas frentes de batalha: contra a arqui-inimiga França e contra a Rússia, que saíra desapontada do Congresso de Berlim. Era um temor plausível, visto que Paris não engolira a humilhação de 1871.

Estratégia frustrada

Em 1873, o chefe de Estado francês, George Clemenceau, anunciou a intenção de transformar a Rússia (que fora o carrasco na derrota francesa para a Prússia) num “instrumento da nossa plena reabilitação”. Por mais de uma década, Bismarck conseguiu impedir a revanche francesa por meio de uma tática pérfida: mantinha o vínculo com São Petersburgo e isolava a França. Ou ainda: desviava a atenção dos franceses para a política colonial, a fim de afastar as tensões de Berlim.

Bismarck apostava num conflito entre a França e a Inglaterra, principal potência colonial da época. O império britânico sonhava em dominar a África, do Cairo ao Cabo da Boa Esperança. Mesmo assim, aceitava o protetorado francês na Tunísia imposto pelo Tratado de Bardo. O tratado de Casr el Said Bardo foi assinado em 12 de maio de 1881. Ele significou, por um lado, melhorias na infraestrutura da África do Norte, mas trouxe também outros problemas, cujas consequências são sentidas ainda hoje.

Um ano depois, a França ocupava toda a Argélia. Até 1911, o país conquistou 10 milhões de quilômetros quadrados de colônias com 60 milhões de habitantes. Assim, os franceses tornaram-se a segunda maior potência colonial, depois da Inglaterra, e passaram a sonhar com um império da África Ocidental à Índia. A política colonial, que entre 1881 e 1884 até chegou a aproximar a Alemanha e a França, nunca passou de um mero instrumento de poder para Bismarck. Mas, ao contrário do que ele esperava, a França não deixou desviar por muito tempo suas atenções para os territórios ultramarinos. Sua aproximação com a Rússia estava em pleno andamento. Poucos anos depois, quem estaria isolada seria a Alemanha.

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