20 de maio de 1990: Primeiras eleições livres na Romênia

Fonte: Deustche Welle

No dia 20 de maio de 1990, aconteceram as primeiras eleições livres na Romênia depois de 53 anos. O vitorioso foi o até então presidente interino Ion Illiescu.

Ion Iliescu Präsident Rumänien 2003

A eleição foi realizada num clima extremamente emocional. A campanha eleitoral, que entrou na sua fase decisiva poucos meses após a derrubada e execução do ditador Nicolae Ceausescu, em dezembro de 1989, esquentou não só por causa de insultos verbais, como também por causa de agressões físicas.

Os três partidos que apresentaram candidatos ao pleito – a Frente de Salvação Nacional (FSN), o Partido Nacional Liberal e o Partido Camponês – não tiveram muito tempo para conquistar a simpatia dos eleitores. A FSN, liderada por Ion Illiescu, presidente interino do país desde fins de 1989, teve no mínimo duas vantagens em relação às outras legendas, como explica o escritor e jornalista romeno Keno Verseck.

“A maioria dos observadores – e esta também é a minha impressão – dizem que a data das eleições foi precoce demais. Há que se considerar que, durante a ditadura de Ceausescu, de 1965 a 1989, praticamente não houve espaço para nada, nem para o mínimo de oposição admitida em outros países europeus. Não existia uma oposição organizada. Existiam pequenos partidos oposicionistas, mas para eles o prazo das eleições era demasiado curto. A FSN, por sua vez, se organizara como órgão dirigente provisório do país e, ao mesmo tempo, apresentou candidato próprio às eleições. Por isso, ela desfrutou de duas vantagens: definiu o calendário eleitoral e era o partido que comandava provisoriamente a máquina do Estado.”

Já antes do pleito se via que a oposição não teria qualquer chance. Principalmente o Partido Camponês ignorou em sua campanha anticomunista o fato de que muitos eleitores eram ex-filiados do antigo Partido Comunista e, de alguma forma, se haviam arranjado com o sistema, dependendo ainda materialmente das estruturas econômicas e administrativas criadas pelo regime socialista.

Votação sob observação do exterior

O sistema eleitoral forneceu argumentos para a oposição alimentar um forte temor de manipulação do pleito. Os 16,8 milhões de eleitores tinham de optar entre 82 partidos e organizações, numa cédula eleitoral de 24 páginas. O voto era dado na forma de um carimbo no quadradinho ao lado do partido ou do candidato escolhido. O carimbo fora do quadradinho invalidava o voto.

Diante das denúncias da oposição de amplas fraudes por parte da frente interina de governo, cerca de 600 observadores estrangeiros foram enviados à Romênia. Eles garantiram que as primeiras eleições parlamentares e presidenciais livres, depois de 53 anos de ditadura, transcorreram de forma relativamente legal.

Como era previsível, o presidente interino, Ion Illiescu, venceu com 86% dos votos válidos. O resultado não surpreendeu. “Era evidente que a FSN obteria a maioria absoluta e Illiescu, mais do que uma maioria de dois terços”, diz Verseck.

O jornal oposicionista Romana Libera escreveu, à época, que o resultado eleitoral era a expressão do atual nível político da Romênia, que deveria ser reconhecido e aceitado. Era o resultado de decisões individuais de pessoas cuja mentalidade e comportamento foram profundamente influenciados pela ditadura Ceausescu. A FSN venceu, mas a possibilidade, pela primeira vez depois de muitas décadas, de controlar o poder do partido governante através de uma forte oposição no Parlamento não foi aproveitada.

Continuidade moderada

E quais eram as expectativas dos eleitores? Para Verseck, os eleitores esperavam uma continuidade moderada. “É assim que eu caracterizaria o partido de Illiescu, à época chamado Frente de Salvação Nacional. É um partido da continuidade moderada. Não fez grandes mudanças, como criar estruturas democráticas. Era o que muitas pessoas esperavam e é isso que aconteceu.”

Em seu primeiro mandato, Ion Illiescu exerceu a presidência da Romênia de 1989 a 1996. Através de uma nova Constituição, referendada em dezembro de 1991, foi instituído o pluripartidarismo no país, garantidos os direitos humanos e estabelecidas as bases para a economia de mercado. Depois de ter sido sucedido em 1996 por Emil Constantinescu, da Convenção Democrática da Romênia, Illiescu foi reeleito para outro mandato presidencial de quatro anos nas eleições de dezembro de 2000.

20 de maio na história

Eventos Históricos do Dia:

1449: Batalha de Alfarrobeira é travada, estabelecendo a Casa de Bragança como a principal família real de Portugal

1498: O explorador português Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para a Índia quando chega a Calecute (cidade da costa ocidental da Índia)

1570: O cartógrafo Abraham Ortelius publica o Theatrum Orbis Terrarum, o primeiro atlas moderno

1840: A Catedral de Iorque, na Inglaterra, é danificada por um incêndio

1875: Assinatura da Convenção do Metro por 17 nações, levando à criação do Sistema Internacional de Unidades

1883: Krakatoa, uma ilha vulcânica localizada na Indonésia, começa a entrar em erupção; o vulcão explode três meses depois, matando mais de 36.000 pessoas

1891: Ocorre a primeira exibição pública do protótipo do cinetoscópio de Thomas Edison

1902: Cuba torna-se independente dos EUA; Tomás Estrada Palma torna-se o primeiro presidente do país

1932: Amelia Earhart, pioneira na aviação dos EUA, decola de Newfoundland, no Canadá, para começar o primeiro voo solo sem escalas do mundo através do Oceano Atlântico por uma pilota, aterrissando na Irlanda no dia seguinte

1940: Holocausto: os primeiros prisioneiros chegam a um novo campo de concentração em Auschwitz

1964: Descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas pelos físicos norte-americanos Robert Woodrow Wilson e Arno Allan Penzias

1969: Término da Batalha de Hamburger Hill no Vietnã

1983: Primeiras publicações da descoberta do vírus HIV, que causa a AIDS, na revista Science por Luc Montagnier, virologista e médico francês

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