Chicago, um bom exemplo de urbanismo moderno – Por Paulo Sa Vale

“Os arquitetos dessa terra e geração agora devem encarar algo novo sob o sol — a saber, a evolução e integração de condições sociais, aquele agrupamento especial delas, resultando de uma demanda por edifícios de grande altura.” —
Louis Sullivan, 1886


Chicago é a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos, depois de Nova York e Los Angeles. Apresenta, igualmente, grande importância financeira e de influência, com uma forte indústria de telecomunicações, além de dispor de um intenso fluxo de turistas durante todo o ano.

Apesar de não ser tão popular e suntuosa quanto Nova York ou Los Angeles, suas esquinas e prédios foram eternizados em várias elementos da cultura, desde o cinema, literatura e esporte.

Aliado a isso, para a história das cidades e do urbanismo moderno, Chicago sempre foi um ponto de referência. Sem nenhum exagero, podemos afirmar que a cidade foi pioneira no processo de verticalização contemporâneo, além de ser precursora na aplicação dos princípios modernos de arquitetura e urbanismo.

Além disso, a cidade conseguiu estabelecer um excelente espaço urbano, garantindo maior qualidade de vida para seus habitantes e uma condição urbana admirável. Mas por que o urbanismo moderno de Chicago funcionou tão bem, ao passo que outros exemplos ao redor do mundo fracassaram?

Para responder tal questão, é necessário entender a construção do ideal moderno de Chicago do início do século XX, além de outros fenômenos inerentes ao período.

 

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Cemitérios: Precisamos repensar – Por João Melhado

Fonte: Caos Planejado

“No dia seguinte ninguém morreu”. Assim começa o romance As Intermitências da Morte, do Nobel em literatura José Saramago. Nele, a morte suspende seus serviços e por algum tempo todos se mantêm vivos em um país imaginado. A metáfora magistral pensada pelo autor português, já em seus últimos pares de sapato, é base para discutir os dilemas e conflitos do fim da vida.

O mundo anda bastante inverossímil, mas a ficção de Saramago continua sendo apenas isto: ficção. Invariavelmente, portanto, ainda precisamos pensar na morte e suas implicações. Para os interessados em políticas públicas e vida urbana, como os deste espaço, a conversa é inexorável. Parte da própria ideia da fixação do ser humano (e o que de nós sobrará) em um determinado lugar, eternizada e estabelecida nos locais de sepultamento. Fincamos comunidades para estarmos perto dos nossos antepassados — e, assim, de nós mesmos.

Aderindo ao pragmatismo imposto pelo cotidiano, cabe também pensar na gestão de cemitérios e crematórios, no mercado ao seu redor, suas desigualdades desumanas, sempre de maneira racional, mas sem perder a sensibilidade necessária para o tema. Olhando para o setor no Brasil, sobram exemplos da falta desses princípios, com raras exceções. Corrupção, chantagem e extorsões, descaso na manutenção de cemitérios e privilégios aos mais ricos são exemplos cotidianos.

João José Reis mostrou em seu A Morte É uma Festa o passado distante dessa história. No século dezoito brasileiro, quando enterros ainda eram feitos em igrejas, famílias ricas pagavam fortunas para ter seus queridos sepultados ao lado dos altares, mais próximos a Deus. Isso não é nada novo: em Jerusalém, desde milênios o Monte das Oliveiras é um dos locais mais sagrados, disputados e caros do mundo. Ali, segundo à crença, se começará a ressuscitação. Muito longe da terra prometida, os escravos brasileiros eram relegados ao lado de fora das igrejas, longe da nobreza. Isso para deixar claro: sempre houve um mercado valiosíssimo ligado à morte, como Reis detalha. As grandes desigualdades sempre existiram também do lado de lá — e continuam existindo.

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