Boletim JPE 06.02.20 | China reduz tarifas – Impeachment nos EUA – Selic em 4,25%

China reduz tarifas | Resultado do impeachment nos EUA |  Selic em 4,25%

 – por José Carmo

 

❶ – As bolsas internacionais começam o dia com tendência de alta repercutindo a decisão da China de reduzir pela metade as tarifas adicionais aplicadas em 1.717 produtos norte-americanos no ano passado. Um indicativo que o governo chinês está buscando ampliar a confiança enquanto enfrenta o surto de coronavirus.

 

❷ – O Senado americano inocentou ontem o presidente Donald Trump do processo de impeachment que o acusava de obstrução do Congresso e abuso de poder.  Ainda nos EUA hoje serão publicados os pedidos de seguro desemprego, a produtividade de produtos não agrícolas e os custos da mão de obra. Ainda não há definição sobre os resultados das primárias do partido democrata. Bernie Sanders e Pete Buttigieg seguem virtualmente empatados.

 

❸ – Para esta quinta-feira é esperada a repercussão no mercado doméstico da redução da Selic para 4,25% e o fim do ciclo de cortes. Conforme mencionou o comunicado do Bacen: “O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. O texto também trouxe referências a importância da manutenção das reformas estruturais para que os juros sejam mantidos em níveis baixos por um longo período.  

 

❹ –  No Brasil em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo o presidente Jair Bolsonaro disse que pretende aprovar ainda neste primeiro semestre a reforma tributária. Este mais um capitulo na disputa entre o presidente e os governadores, que são contrários a aprovação do projeto de  lei para que o ICMS seja recolhido por valor fixo por litro de gasolina. Atualmente o imposto estadual é proporcional ao preço final do combustível.

 

❺ – A Anfavea divulgará a produção total de veículos do mês de janeiro e os resultados devem trazer sinalizações sobre o comportamento do setor.

Copom reduz taxa Selic para 4,25% a.a.

Fonte: Comunicados do Banco Central

Em sua 228ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 4,25% a.a. A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Dados de atividade econômica divulgados desde o último Copom indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira;

No cenário externo, apesar do recente aumento de incerteza, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

No cenário híbrido com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$*, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,5% para 2020 e 3,7% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 4,25% a.a. e se eleva até 6,00% a.a. em 2021; e

No cenário com taxa de juros constante a 4,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$*, as projeções situam-se em torno de 3,5% para 2020 e 3,8% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, pode elevar a trajetória da inflação acima do esperado no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) aumento da potência da política monetária decorrente das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais, (iv) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (v) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 4,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e o balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, com peso crescente, o de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

 

 

 

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