Mercados – 01.03.2021

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Mercados | Bolsas mundiais têm altas, com queda nos juros de títulos do Tesouro americano no radar

Fonte: Infomoney


Os índices futuros americanos mantém tendência de alta nesta segunda-feira (1º), após avançarem nas negociações de overnight. O movimento pode estar sendo influenciado pela queda nos juros dos títulos do Tesouro americano com vencimentos de entre dez e 30 anos, que haviam registrado altas nas semanas anteriores.

Os títulos com vencimento em dez anos chegaram a bater brevemente a marca de juros de 1,6% na semana anterior, quando o índice Dow teve perda de 1,7%, o S&P 500 caiu 2,5% e o Nasdaq caiu 4%. Nesta segunda, os juros dos mesmos títulos baixaram a 1,406%, o que ajuda a impulsionar as bolsas americanas.

Juros mais altos sobre títulos com vencimento em entre dez e 30 anos, em decorrência da retomada da economia e da inflação, podem levar uma parte dos investidores a migrar do mercado de ações para o de títulos, o que influencia na atividade das bolsas. O mercado de títulos é visto como mais seguro por ser garantido pelo governo, que tem poder de elevar impostos para cobrir gastos, caso necessário.

Além disso, a alta dos juros com vencimento mais longínquo pode dificultar a tomada de empréstimos por setores de forte crescimento. E a alta da inflação poderia levar o Fed a alterar sua política, e elevar os juros referenciais de curto prazo.

Um dos fatores a influenciarem a expectativa de aceleração da inflação e, consequentemente, de alta dos juros, é o pacote de estímulos no valor de US$ 1,9 trilhão defendido pelo governo de Joe Biden. A lei prevendo o pacote foi aprovada no sábado (26) na Câmara, e agora segue para o Senado.

Outro fator é o avanço do ritmo de vacinação nos Estados Unidos, um ponto considerado crucial para a normalização das atividades e a retomada da economia.

No domingo (27), o conselho do CDC (sigla em inglês para Centro para Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos votou por unanimidade para recomendar o uso da vacina de dose única desenvolvida pela Johnson & Johnson para pessoas com 18 anos ou mais. A empresa deve fornecer 4 milhões de doses inicialmente.

Segundo dados oficiais, até o domingo os Estados Unidos haviam vacinado 22% de sua população. No Brasil, 3,11% da população foi vacinada até o domingo.

As bolsas europeias também têm altas nesta segunda, acompanhando o otimismo registrado nos Estados Unidos com a queda dos juros de títulos do Tesouro com vencimento em dez anos, aliada à vacinação e ao avanço do pacote de estímulos no Congresso.

O índice Eurostoxx, que reúne ações de 400 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, teve alta de 1,7%. Todos os setores e as principais bolsas tiveram ganhos, com destaque para o de recursos básicos, com alta de 2,7%.

As bolsas asiáticas fecharam em alta na segunda, apesar de o índice PMI (sigla em inglês para Índice do Gerente de Compras) da China ter registrado 50,6 pontos em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas. O patamar fica abaixo daquele registrado em janeiro, de 51,3 pontos, mas acima da marca de 50 pontos, que separa a expansão da contração da atividade.

O índice Hang Seng Index, de Hong Kong, subiu 1,63%. Mas as ações da petroleira CNOOC caíram 1,08%, após a Bolsa de Nova York anunciar na sexta (26) que deixará de listar suas ações, atendendo a uma ordem executiva assinada em novembro de 2020 pelo ex-presidente Donald Trump.

O índice Kospi, da Coreia do Sul, não operou devido ao feriado do Dia da Independência.

Agenda do dia

Pandemia completa um ano no Brasil em seu pior momento

Fonte: Deutsche Welle

País atravessa ponto sombrio da covid-19, com negacionismo, má gestão e crise econômica como pano de fundo. Perspectivas de superação são desalentadoras, e especialistas esperam 2021 ainda pior.

Há um ano, o primeiro caso do novo coronavírus era confirmado no Brasil, em um homem de 61 anos que havia viajado à Itália. Internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, ele se curou pouco mais de duas semanas depois, mas o vírus continuou chegando ao país e logo se espalhou, inicialmente entre as classes mais altas e, depois, entre os mais pobres, provocando a morte até quinta-feira (25/02) de 251,5 mil pessoas, segunda maior marca mundial.

Pandemias são eventos pouco frequentes, que testam a capacidade de cientistas buscarem soluções, a coesão das sociedades e a liderança de políticos. No mundo, já há diversas vacinas eficazes aprovadas, mas com produção ainda insuficiente, e alguns países já discutem a volta à normalidade, como Israel.

Esse cenário ainda está longe do Brasil, que atravessa um momento sombrio da covid-19. O número de mortes diárias segue em patamar alto, acima do pico anterior da doença, em julho de 2020. São 36 dias seguidos com marcas acima de mil mortes em 24 horas, na média móvel de sete dias. No total, mais de 10,4 milhões de pessoas, ou 5% da população, já tiveram diagnóstico de infecção pelo vírus, número que deve ser bem maior devido à falta de exames e a subnotificação.

O SUS, além disso, enfrenta o seu pior momento desde o início da epidemia. Segundo balanço da Fiocruz, as taxas de ocupação de UTIs do sistema público batem recorde atualmente – 17 capitais têm lotação de pelo menos 80%.

Enquanto isso, a vacinação caminha a passos lentos. Até esta quinta-feira, 6,2 milhões de pessoas haviam recebido ao menos a primeira dose da vacina, menos de 3% da população. O ritmo se deve à escassez estrutural do imunizante em todo o mundo, mas também a decisões do governo federal que não garantiram com antecedência um rol diversificado de fornecedores de vacinas.

Infografik Sterberate Brasilien PT

As perspectivas de superação da pandemia, afirmam especialistas, não são positivas. Pelo contrário: espera-se que 2021 será ainda pior que o ano passado. Os números de casos e mortes estão no patamar mais alto, e as recomendações científicas parecem não terem sido adotadas de forma adequada pela população

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