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domingo, 31 de julho de 2016

Stand up e Emagrecimento: Entrevista com Wagner Fernandes do canal Waguiadas






Zé Paulo - Para começar uma pergunta que vale um milhão de calorias negativas. Qual o “segredo” para emagrecer?


Wagner Fernandes - O segredo para emagrecer acho que é a força de vontade, porque não é nada fácil. Você abre mão daquilo sempre gostou e do que sempre lhe deu prazer, porém com o tempo percebemos que esse “prazer” não era realmente saudável e que uma alimentação melhor pode ser tão prazerosa quanto, hoje nesta nova fase da alimentação nunca mais senti a sensação de estufado que eu sempre tinha quando saia da mesa do almoço ou do jantar, você se levanta ainda com disposição e não com vontade de dormir 10 dias seguidos de tanto que comeu. 
 

Precisa lidar com preconceitos próprios e alheios.  Se privar de comer até chegar no seu objetivo e as vezes esse objetivo não chega no tempo que você quer. O principal desafio que eu enfrento até hoje e mesmo depois de mais de 3 anos de luta e ainda perco é a mente.  Ela é a vilã porque o estômago já não aguenta mais a porção de antigamente, mais na sua cabeça você ainda quer toda aquela comida. 

Então come verdura e legume pensando nas gordices e quando tem um dia do lixo, você realmente faz um lixo de comida.  Esta é a principal dificuldade que eu preciso vencer e que todos precisam que é a mente. Acredito que na hora que conseguir se conscientizar de que não precisa de 1 quilo de comida no almoço para se sentir bem, aí o resultado flui mais rápido.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Zé entrevista o economista Paulo Rafael



Zé Paulo do Carmo - Por qual razão escolheu estudar economia?

Paulo Rafael - Sempre gostei de matemática e história, fiz alguns testes vocacionais e apontavam para Administração e Economia, antes havia me formado em Técnico em Contabilidade, e para minha surpresa a carga de matemática era muito aquém do que eu esperava, pesquisei muito sobre o curso antes do Vestibular, tanto pela Internet como com economistas, fora isso, na efervescência de querer “mudar” o Brasil e entender um pouco as mazelas e as disparidades sociais e econômicas no Brasil, decidi prestar vestibular para Ciências Econômicas.

Zé Paulo do Carmo - Qual sua opinião a situação econômica do Brasil?

Paulo Rafael - Os índices em sua maioria não são favoráveis, o Brasil cresce muito aquém do esperado, e é um crescimento a base de Gastos Governamentais e Consumo, que usa uma Política Econômica com diversos receituários questionáveis. A política monetária precisaria de reformas estruturais, de modo a não reprimir o consumo quando a inflação foge da meta estabelecida pela Autoridade Monetária, esta tem um componente de inércia e a tratam como inflação de demanda, aumentam a Selic para reprimir o consumo e “controlar” a Inflação, o que em minha opinião não é eficaz. Uma política fiscal expansionista que preza pelos Gastos do Governo e pagamento dos Juros da Divida Pública e na hora de reprimir Gastos, tem “ideias” de todos os tipos, exceto diminuir os Gastos do Governo. Fora isso, temos excesso de tributos, serviços públicos ruins, um aparelhamento do Estado cada vez maior e totalmente desnecessário, bem como, cartéis “invisíveis” da indústria que majoram os preços dos produtos, com a premissa que o Custo Brasil é muito alto, sendo que o Mark-Up destas é muito alto. Além é claro da Ilusão Monetária presente na mente da população de que temos dinheiro, que o crédito é barato, que temos que gastar o mais rápido possível, e um Marketing muito bom para fazer com que as pessoas pensem primeiro em gastar e não em poupar.

Zé Paulo do Carmo - Focando num tópico citado em sua resposta.  O  aparelhamento do Estado gera ineficiência?

Paulo Rafael - Sim, gera ineficiência, isso é nítido quando analisamos aspectos simples da Economia Brasileira, podemos citar o caso da Telefonia no Brasil que era controlada diretamente pelo Governo, e depois da Privatização, o serviço melhorou consideravelmente, bem como, o acesso as linhas telefônicas, na década de 90 uma linha de telefone era vista como um Investimento, dado o alto valor de mercado. O Estado através de diversas regras, regimentos e trâmites permite que decisões simples demorem a ser tomadas, enquanto na iniciativa privada, se uma empresa não atender de forma no mínimo regular, o individuo procura a concorrente. Outro aspecto que poderíamos citar seria sobre a produção da Vale antes e depois da Privatização.

Zé Paulo do Carmo  - E a corrupção?

Paulo Rafael - Quanto a corrupção isso não é um fato que só acontece no Estado, infelizmente está enraizado na sociedade brasileira, e vimos muito disso também na Iniciativa Privada. A corrupção ou o tão aclamado e valorizado: “jeitinho brasileiro” está em todas as esferas da sociedade, bem como, na Economia através do Estado ou da Iniciativa Privada. Enquanto não houver uma legislação séria para coibir a Corrupção, ficaremos com a sensação de insegurança e de injustiça.

Zé Paulo do Carmo - Temos um Estado com uma tributação com padrões de países desenvolvidos e os serviços oferecidos estão aquém do nível aceitável. Existe alguma reforma tributária viável?

Paulo Rafael - Sim. Um dado simples é o Imposto de Renda que está defasado e onera ainda mais a classe média. Há muitos impostos e taxas e a arrecadação do Governo só cresce a cada ano. Há algumas propostas que são eleitoreiras como o Imposto único, isso me faz lembrar dos anais de Economia, quando tinham a ideia de tributar somente a terra, pois dali tudo era produzido. A tributação brasileira é progressiva, e ainda estamos com algumas políticas defasadas que vem desde o inicio do Século passado, alta tributação em produtos importados, isso faz com que o cidadão opte por comprar um produto nacional, mesmo que este tenha uma qualidade inferior ao estrangeiro, vale lembrar que os países orientais aproximadamente nos anos 60/70 decidiram não tributar os produtos vindos de fora, a ideia era fazer com que a Industria local acompanhasse a internacional, e hoje vimos a que esses países são Potência em produtos de alta tecnologia, enquanto no Brasil, muitos acreditavam que tal política traria muito desemprego, perda do poder de compra e etc. 
Acredito que de maneira gradual, o Governo deveria tomar diversas medidas para permitir que a os tributos fossem reduzidos, citei aqui o IR e o Imposto de Importação. Mas há vários outros impostos que de maneira direta ou indireta, encarecem os valores dos produtos bem como o de serviços. Falta vontade política para mudar. Até porque o interesse do Estado é arrecadar e aumentar e ou manter os Gastos do Governo, e como o Estado só arrecada através da Tributação, não acredito que tenham como estratégia alterar a carga tributária brasileira, podem até fazer pequenas políticas de incentivo para algum setor em especifico, mas uma Reforma Tributária profunda, isso infelizmente não é interessante aos Governantes. 

Zé Paulo do Carmo - Neste ano teremos a realização da Copa do Mundo no Brasil, uma das grandes promessas deste evento era o legado que seria deixado para as cidades sedes.  Teremos realmente este legado?  Aproveite e comente qual sua visão sobre a realização destes eventos em países não desenvolvidos.

Paulo Rafael - Fui contrário a ideia de sediar a Copa do Mundo desde o inicio, acho que o País deveria primeiro se preocupar com Educação, Saúde, Infraestrutura e combate a Corrupção entre outros. Usaram como base para a aprovação popular a questão da Infraestrutura, venderam a ideia de que com a Copa, a infraestrutura iria melhorar consideravelmente, iriam abrir novos postos de trabalho e o turismo traria muito retorno financeiro e visibilidade internacional, colocaram a Copa como uma “solução” para que o Brasil tivesse um crescimento econômico consistente e saudável, essa foi a idéia quando venderam para a população. Passado o tempo, vimos que a infraestrutura pouco mudou, a mobilidade urbana também não houve grandes alterações, vimos que as “Sedes” foram escolhidas por politicagem, pois cidades como Manaus, Pantanal, Brasília, não tem clubes de futebol na primeira divisão para suportar os “elefantes brancos”, bem como, diversas instalações da Copa, foram uma maneira de desviar recursos públicos que deveriam ser aplicados em áreas de maior necessidade. A Copa foi um erro desde o inicio, mas o Marketing inicial foi tão bem feito, que poucos analisaram os prós e contras de tal evento no Brasil. Quanto a Grandes Eventos Esportivos como Copa ou Olimpíadas em países sub-desenvolvidos, isso deve ser analisado criteriosamente em cada país, pois é um contexto que cada Nação deve analisar e inferir os prós e contras de eventos de tal magnitude.

Zé Paulo do Carmo - Você acredita na possibilidade que a realização da copa pode gerar impactos negativos ou positivos na eleição?

Paulo Rafael - Quem trouxe a Copa e as Olimpíadas para o Brasil? Todos sabemos a resposta. Agora uma outra pergunta, qual o impacto que isso tem gerado no “Pai” da idéia? Nulo. Não vejo a Copa como um fator determinante para a população média que é a que elege os governantes brasileiros, altere o cenário político. Quanto aos manifestantes ou os que tem um bom conhecimento político, acredito que farão um voto de protesto, que tanto pode ser por algo novo, mas que ao mesmo tempo que mantenha um certo conservadorismo, como podem na ausência de políticos que apresentem propostas significativas ou sérias, votarem em candidatos de apelo popular como Cantores, Atores, Comediantes e ex-jogadores de futebol. O impacto ainda é uma incógnita na população média brasileira, mas se fosse apostar, apostaria em impacto nulo no Núcleo da Política Brasileira, enquanto na margem vejo alguns novos nomes ou a solidificação de alguns que já tem uma ideologia que foge um pouco dos padrões da política nacional, tais como Bolsonaro e Feliciano. 


Zé Paulo do Carmo  - Nas ultimas semanas presenciamos um embate entre o PMDB e o PT. Segundo alguns analistas políticos o que está em jogo é uma disputa por cargos e uma tentativa peemedebista de frear a estratégia petista de aumentar o número de deputados nas próximas eleições.  Quais as suas observações sobre a relação entre o poder executivo e legislativo no âmbito federal?

Paulo Rafael - Relação de interesses de como e quando aumentar o poder. Todos os partidos políticos usam de diversas estratégias para poder angariar Ministérios, Secretarias e cargos em Estatais, é uma briga de partidos gigantes que tem como idéia a solidificação e manutenção de seus partidos no poder. O que causa um pouco de constrangimento é que os tais partidos não são antagônicos, não são diferentes na essência, um político ou outro destoa um pouco, de restante, é difícil você identificar uma ideologia num partido grande, parece que todos são iguais, a única diferença no âmbito federal é a velha briga entre PT e PSDB, sendo que em essência são muito parecidos, sendo que o PT ainda carrega uma áurea de Partido do Povo e o PSDB o Partido da Elite, o marketing do PT é poderoso e o anti-marketing solidifica ainda mais a marca. O que vou falar pode até ser utópico, mas gostaria que idéias fossem discutidas de forma a melhorar o País e não ficar presenciando essas brigas de manutenção no Poder. O Brasil é um país cheio de disparidades e ineficiências que deixam pra depois, o importante é se manter no poder, pouco importa se tem idéias ou iniciativas, o Brasil ficou em segundo plano, em primeiro plano é o Poder pelo Poder.

Zé Paulo do Carmo - Interessante a resposta poder pelo poder, me fez recordar de alguns debates de Marina em 2010. Aproveitando o tema, quais suas considerações sobre a aliança Campos e Marina?

Paulo Rafael -  Uma ótima aliança, Marina obteve 20 milhões de votos na eleição passada, esses votos em sua maioria de pessoas que estavam cansadas dos mesmos atores políticos (PSDB e PT), e gostariam de um outro projeto ou uma nova maneira de governar o Brasil. Campos ainda é desconhecido no cenário nacional, o eleitorado dele é do Nordeste e não há muitas informações sobre seu Governo, informações essas que serão levantadas assim que começar o horário político, já Marina tem um bom apelo, mas a imagem aparente de mulher simples e frágil, ainda é prejudicial em muitas esferas da sociedade. É uma terceira via para os possíveis presidenciáveis, mas se bem trabalhado, podem surpreender e irem para o segundo turno, visto que o PSDB por mais que seja um Partido Grande, é um partido que não tem organização e união, e não vejo o Aécio como um nome forte para o Estado de São Paulo e região Sulista. Acredito que a estratégia do PT será assemelhar a imagem de Campos a Collor e a de Marina em uma mulher frágil.

Zé Paulo do Carmo - Notamos que a internet é um ambiente propício para o debate, mas quando ocorre o acirramento de opiniões divergentes o debate foge da argumentação e entra campo da ofensa pessoal. Você consegue identificar algum fator que explique este evento?

Paulo Rafael - Há partidos políticos que pagam para que guerrilheiros virtuais entrem nos debates de forma a desviar o foco da discussão, e começar uma “Guerra” virtual. O debate fica pobre, pois o assunto principal acaba ficando em segundo plano. Isso já era muito comum em debate político, vimos muito disso na TV em época de eleição, Candidato A faz a pergunta para o B, e o B fala um monte de coisas sem nexo ou simplesmente ataca a honra de A, poucos lembram da pergunta, mas adoram ver a “briga” ou “discussão”, o assunto não importa mais, mas sim sobre a honra ou a conduta de A. Isso passou a ser praticado na Internet, por exemplo: quando vejo alguém a favor da Condenação dos Mensaleiros, não discutem se tinham provas ou não, com que base levantaram tais provas, se na quebra do sigilo bancário foi provado alguma coisa, se há provas de que houve aumento no Patrimônio do réu ou dos familiares, a discussão vai para a parte rasa, que quem é a favor da Condenação é do PSDB/DEM e etc e tal. Nota-se que alguns grupos são orientados a praticar tais estratégias. Infelizmente estamos presenciando no Brasil uma confusão de idéias, não se discute mais o “crime”, mas se ele é valido ou não, tal Partido fez, mas o outro fez também, como se um crime inocentasse outro. Dias atrás vi um argumento de que uma pessoa pobre tem o direito de roubar, pois foi privado dela o direito de ter aquilo, e por incrível que pareça apareceram vários adeptos a esse "argumento". 

Zé Paulo do Carmo - Alguns psicólogos comentam que a ausência de argumentação é a porta de entrada para a ofensa pessoal. Diante deste “oceano” de ignorância, é possível encontrar “ilhas livres” para um debate onde podemos discutir o Brasil?


Paulo Rafael - O melhor lugar de debate para mim continua sendo nas Universidades, há varias correntes de pensamento e um respeito maior entre os agentes. Um bom lugar para debater é com amigos e pessoas que tem um conhecimento político acima dos demais. Muitas pessoas que usam a internet para debater, muitas vezes fazem parte de grupos A ou B, e pra mim quem pensa em grupo, perde a individualidade. Encontrar um bom lugar na internet para debater política ou economia é um trabalho tão difícil que quem puder me indicar um, eu agradeço.


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Zé Paulo do Carmo, é economista e editor do blog JPE
Paulo Rafael, é economista.  

Ambos são formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Zé Paulo entrevista a veterinária e bióloga Vilma Costa


Zé Paulo -  Quando decidiu escolher o curso de medicina veterinária?

Vilma Costa - Havia acabado de retornar das férias em Pernambuco, tive muito tempo e muita calma para refletir sobre o futuro. O ano era 2009, dois anos antes havia feito uma denúncia de corrupção em uma escola e estava sendo ameaçada por alguns professores corruptos. Na verdade minha primeira formação é em História, depois fiz biologia e quando decidi fazer medicina veterinária, bom, foi para resolver um problema administrativo da Ararinha Azul e acabar com a alta rotatividade deste profissional em nosso consultório. Um fator muito importante, de muito peso em minha decisão, foi a desilusão com a educação no país. Antes, trabalhava como professora de cursinho pré-vestibular e ensino médio, além de trabalhar no Beto Carreiro e na Ararinha Azul como bióloga.


Zé Paulo -  Qual o papel da medicina veterinária na sociedade?

Vilma Costa - Que bom que perguntou, pois isto está sempre engasgado e é o que mais me sufoca. O médico veterinário não é apenas um médico de cães e gatos. Nosso papel é de extrema importância para a sociedade. É nosso dever zelar pelo bem estar  animal no campo ao longo de  sua vida até o abate. Somos responsáveis pela qualidade de todos os alimentos de origem animal que está na mesa da população no mundo todo (leite, carnes, ovos, embutidos). Há um médico veterinário em todos os setores da indústria alimentícia, desde a fazenda que cria os animais até o produto final sair da indústria para abastecer o comércio. No local onde estes produtos são comercializados é obrigatório a presença do veterinário para garantir a qualidade destes produtos e forma de armazenamento. O controle de zoonozes (doenças transmitidas de animais para humanos), barreiras sanitárias (para impedir que doenças ultrapassem as fronteiras). Esta profissão exige muita responsabilidade e comprometimento do profissional, além de muita disciplina para cumprir horas de estudo e de aprimoramento. A clínica de pequenos animais, embora seja responsável pela grande procura pelo curso, não é o foco principal. Na clínica, o objetivo é bem estar, saúde física e mental, do animal e do proprietário. Sinto falta de divulgação de campanhas de vacinação contra leptospirose e raiva em clinicas particulares. Nosso conselho, CRMV é quase invisível, inoperante e não temos força sindical. Somos profissionais que garante a saúde da população, antes mesmo de qualquer intervenção de um médico humano e não somos valorizados e muito menos reconhecidos pela sociedade que desconhece nossas habilidades e funções.   Antigamente era uma relação de trabalho, os cavalos eram domesticados para prestarem serviços, transportarem cargas, pessoas. Tinham papel importante na logística das tropas e nas conquistas de novos territórios. Os outros animais, basicamente serviam para fornecimento de alimento e couro. Depois, muitos passaram a ser utilizados nas pesquisas médicas e algumas espécies, como os gansos, tiveram seu período de glória, sendo oferecidos como presentes para realeza. As raças de cães foram sendo desenvolvidas e aprimoradas de acordo com a necessidade humana, os mastinos napolitanos, cães gigantes, eram utilizados na guerra para amedrontarem os oponentes que não os reconheciam como cães e sim como monstros, feras. Os cães pastores, utilizados para agrupar os rebanhos, os labradores como cães guias.  Agora, nenhuma espécie foi e é tão injustiçada e perseguida quanto os gatos, que já foram considerados como demoníacos, bruxos e mais recentemente como um risco à saúde da gestante e do bebê. Vitima da ignorância, inclusive de médicos humanos que insistem em afirmar que felinos transmitem toxoplasmose e orientam suas pacientes a se livrarem dos animais. Um absurdo.



Zé Paulo - Você consegue perceber a evolução da importância dos  animais de estimação na família?

Vilma Costa - A família mudou, hoje não é raro ter um animal de estimação ocupando o lugar de um filho que o casal não pretende ter; o lugar de um pai ou uma mãe que já partiu, um parceiro que ainda não surgiu; para preencher um vazio, para quebrar o silêncio em casa. Animais podem auxiliar no tratamento de doenças como a depressão; na recuperação de pacientes internados; estimular crianças que tem dificuldades para falar, caminhar, interagir e  brincar. Alcançaram o status de membros das famílias, os irmãos mais novos, os filhos caçulas e em muitos casos, o único ouvinte, a única companhia fiel e sincera.


Zé Paulo - Qual sua visão sobre as sociedades protetoras dos animais?

Vilma Costa - Penso que as sociedades protetoras dos animais secam gelo, pois tentam tratar a consequência e não a causa. Conheci de perto e ingenuamente fiz parte de uma ONG, muito conhecida, bastante presente na mídia, mas que não fazia nada além de arrecadar dinheiro e acumular animais. 
Muitos dos presidentes dessas instituições tem acesso aos governantes e não fazem uso de sua voz para tentar mudar a causa de base, a doença primária, que faz com que tantos animais sejam abandonados nas ruas. Não utilizam a voz, nem ao menos para mobilizar a sociedade e chamar a atenção para o problema que é de saúde pública e animal.

Os animais domésticos  são vistos pela legislação brasileira como um bem e não como um incapaz, já que é incapaz de sobreviver sem um humano, por isso não tem proteção legal efetiva. De que adianta resgatar um animal se ao mesmo tempo tantos outros estão sendo abandonados? Não seria mais efetivo educar? Alertar sobre os riscos à saúde pública ao invés de se utilizar apenas o apelo afetivo? Penso que é necessário realizar campanhas de castração nas periferias e tenho certeza de que não há solução sem educação.Pode ser um trabalho bonito, árduo, porém sem efeitos para a espécie e para o problema. Resolve-se um problema do indivíduo, não do coletivo.


Zé Paulo - O que fazer antes de decidir ter um animal de estimação?

Vilma Costa - Conhecimento é a chave, a arma mais poderosa contra o abandono. Conhecer as características do animal antes de adquirir, se conhecer, se questionar, ser responsável.
Saber qual expectativa de vida e ter certeza de que será responsável por ela. Pesquisar sobre hábitos alimentares, comportamentais, se o animal vive bem sozinho ou se necessita de um companheiro, se vive bem em cativeiro, como é a adaptação no novo lar. Pesquisar sobre custos de manutenção: vacinas, alimentação, moradia, necessidades especiais, como utilização de protetor solar para algumas raças de cães. É como ter um filho, porém, jamais vai se decepcionar, pois um cão fará sempre o que for possível para te agradar. Ainda que se esqueça de alimentá-lo, que chegue tarde, ele estará sempre a sua espera e feliz ao rever o amigo humano.

Quer ter cores na vida? Amar e ser correspondido? Não se decepcionar? Adote um animal e nunca, jamais o desrespeite.


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Zé Paulo é economista e editor do blog JPE
Vilma Costa é veterinária / bióloga e assina a coluna Biologia e Veterinária do Blog JPE

sábado, 12 de julho de 2014

Um bate papo sobre responsabilidade social. Entrevista com Alexandre Gomes e Derci Santos









Zé Paulo – É possível verificar através da mídia um número maior de empresas que colaboram  com projetos de responsabilidade social. Qual a opinião de vocês sobre este movimento?

Dercy – Acho fantástico, esta é uma tendência que ganha força a cada dia , cada vez mais empresas promovendo, participando e principalmente ajudando nos projetos sociais diversos

Alexandre – Esta havendo de certo modo uma conscientização das empresas, das sociedades e quem sai ganhando com isso são todas as partes envolvidas.


Zé Paulo  - Vocês consideram relevante a divulgação das ações sociais desenvolvidas por estas empresas?  


Dercy – Sim, muito relevante, quanto o maior numero de pessoas envolvidas melhor, as informações divulgadas sempre ajudam, não ficam só dentro das empresas, elas se propagam.

Alexandre – Sem duvida, cada ação divulgada acaba servindo de exemplo, tanto para os colaboradores da empresa como para as demais empresas que acompanham.

Zé Paulo - Falem um pouco sobre projeto social AMAMOS..

Dercy – Na verdade faço muito pouco la dentro, minha ajuda  maior é aqui fora, onde tento de todas as formas ajudar e angariar fundos, para  organizar campanhas tais como:  do agasalho, do leite, feijoada, bingo etc

Alexandre – José, cada momento que ajudo é como se fosse um momento único, porém já fui, mas ativo na Amamos trabalhei como voluntário onde dava aulas de reforço escolar para as crianças que necessitavam, era muito bacana, quem aprendia na verdade era os dois lados, eu aprendi muito com eles.Teve um tempo que eu controlava um caixinha ( Jun 2009 à Dez 2012 ) que era formado pela contribuição quinzenal no valor de R$ 10,00 de alguns colegas de trabalho, com essa caixinha compramos fraldas, leite, sucos, refrigerantes e salgados para os bingos,  compramos 2 ventiladores grandes, um painel de parede para 80 fotos, um aparelho de fax entre outras coisas, mas a maior aquisição na minha opinião foi a de um carro buffet em Out 2010 e que está funcionando muito bem até hoje. Antes principalmente na época de inverno era bem delicado, as crianças que chegavam da escola por volta das 12:30hs a comida já não estava quente, esfriava muito rápido  e mesmo assim era servida.. Hoje vou pelo ao menos 2 vezes por mês lá, contribuo com todas campanhas, sempre vejo se eles precisam de alguma coisa, mas é muito, muito pouco a minha participação, sinto falta de poder ajudar mais.

Zé Paulo – Qual a sensação pessoal ao contribuir com este projeto?

Dercy – Pra mim é fundamental, inclusive quando me aposentar irei dedicar mais, não tem dinheiro que pague, não só trabalhar na Amamos mas trabalhos voluntários em geral como também a campanha de doação de sangue a cada 03 meses, aulas de inglês para pessoas de baixa renda,  acho que todas as pessoas conseguiriam ajudar pois sempre existe alguma coisa que podemos fazer, é só querer.

Alexandre – José, quando você faz um bem, não importando a quem é muito gratificante, ainda mais quando é para uma criança inocente, que não pediu e não tem culpa de estar ali.

Zé Paulo - E o poder público apoia a AMAMOS?

Dercy – Muito triste ter que falar neste assunto, a ajuda vem, mas não como deveria, o valor por criança é irrisório, menos da metade do valor da ajuda a um presidiário, os prazos não são cumpridos, os atrasos são demasiados e constantes, praticamente não temos nenhuma isenção sobre o pagamento de impostos e taxas.

Alexandre – É muito difícil falarmos sobre poder publico, sabemos que hoje 11/07 não foi repassado os valores desde Fev’14, sabemos que tem diretores que fizeram empréstimos bancários ( pessoal ) para honrar a folha de pagamento deste mês. Sabemos também que tramita em Brasília, desde 2011, a tentativa da concessão da declaração de utilidade publica federal que é emitida pela CNAS ( Conselho Nacional de Assistência Social ), essa declaração é de extrema importância para a Amamos, pois com ela a entidade poderá a receber doações tanto de pessoa física como jurídica e quem doar terá o incentivo de abater no imposto de renda, imagine o quanto é importante para a esta entidade.

Zé Paulo - E para os leitores (as) que desejam colaborar, como podem  ajudar a AMAMOS?

Alexandre – José, será uma imensa satisfação, toda ajuda será bem vinda, ajuda financeira, ajuda com mantimentos , uma assessoria jurídica principalmente para que a Amamos possa adquirir o quanto antes a declaração de utilidade publica federal e principalmente ajuda fraternal, um abraço fraterno é muito importante tanto para as crianças como para as pessoas que cuidam diretamente delas.
Quem quiser ajudar , por gentileza, entre em contato com a Eliane ou Izildinha pelos telefone : (011) 3601-3658 ou (011) 3601-1031

Obrigado.


 Conheça a AMAMOS http://www.amamos.org.br/ 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Zé Paulo entrevista a ativista dos direitos dos animais Shaiane Novais


Zé Paulo - Este amor pelos animais começou quando?

Shaiane  Novais -  Primeiramente gostaria muito de agradecer a oportunidade de estar em seu blog. Acho que o meu amor pelos animais, veio desde pequenina. Desde novinha morava em uma Usina, onde o abandono sempre foi uma coisa vista como "normal", eram vários animais abandonados. Recordo-me bem que com cinco anos de idade, meu pai chegou com uma vira-latinha em casa, em uma caixinha, a mãe havia morrido e ele havia pegado a filhotinha para cuidar. Esse foi o meu primeiro exemplo, e desde então comecei a alimentar os animais que ficavam na Usina, mas sem compreender o que aqueles animais faziam ali, que no momento, para mim parecia normal.

Zé Paulo - Em qual momento decidiu se engajar na luta pelos direitos deles?

Shaiane  Novais - Isso foi em torno dos meus 19 anos. Aos ver tantos animais abandonados em minha cidade, decidi tentar agir de alguma forma. Eu, uma amiga e minha irmã, montamos um projeto que de inicio não saiu do papel. Logo após, ajudamos uma ONG em nossa cidade. Em 2007 fui a um seminário do Projeto Focinhos Gelados, que me abriu a mente completamente para focarmos na educação, que a meu ver hoje, é a única forma de solucionarmos todos os problemas de nosso mundo de uma forma geral. Quando digo isso, muita gente me pergunta se eu não dou importância ao resgate dos animais, e digo que sim, tanto que eu ajudo os animais resgatando e auxiliando quem resgata. O problema é o comodismo da população. Vou dar um exemplo prático para vocês entenderem. A um tempo atrás, recebi uma ligação de uma mulher, e ela solicitava que eu pegasse toda a ninhada da cachorra dela. Expliquei a situação e informei que não fazíamos resgates de animais que tinham donos, e então ela me informou que estaria jogando os filhotes na rua, pois ai eles seriam tratados como abandonados e nós recolheríamos. Infelizmente a população é muito acomodada, não tem sensibilidade e respeito a vida. Para mim, uma ONG só funciona se ela estiver um trabalho educativo interligado a ela. Quando eu digo que a ONG só funciona com o trabalho educativo interligado eu quero dizer no resultado final. Você recolhe um animal e consegue um lar para ele, ao mesmo tempo, está sendo abandonado mais de 5 animais, é nesse sentido que eu gostaria que as pessoas entendessem, se não houver conscientização, o abandono nunca chegará ao fim. Foi depois de muito estudo, que criei o Projeto Educacional Animais de Companhia (PEAC) onde atendemos mais de 30 crianças.

Zé Paulo - No seu perfil no Facebook é possível observar que você posta fotos de animais que precisam de ajuda e /ou estão abandonados. Como estas informações chegam até você?

Shaiane  Novais -Muitos dos animais publicados lá são de amigas protetoras, que me marcam nas fotos e solicitam ajuda para os compartilhamentos. Outros são de animais de meu antigo trabalho, onde cuidamos de mais de 10 animais, hoje Graças a Deus o número diminuiu, pois castramos todas as fêmeas e alguns foram doados.

Zé Paulo - Este trabalho está dando resultado? Compartilhe conosco eventos marcantes desta trajetória.

Shaiane  Novais - O trabalho tem sim seus resultados. Onde eu trabalhava por exemplo, praticamente não temos mais filhotes, pois todas as fêmeas foram castradas. A castração é um ato realmente de amor, tínhamos todos os meses ninhadas de cães, e com as castrações o número caiu para praticamente zero, fora que o animal fica muito mais saudável e previne diversas doenças. Já o PEAC teve seus frutos, é incrível como as crianças se apaixonam, como elas se abrem a proposta. Tivemos crianças que disseram - MEU PAI PRECISA SABER DISSO -, e alguns pais já chegaram a conversar comigo sobre o assunto. Por isso que não vejo resultado somente no resgate dos animais, é um ato importante sim, mas precisamos abrir o coração das pessoas para o tema, para a causa, para a realidade, e a melhor forma de fazermos isso é na educação e concientização principalmente das crianças.





Zé Paulo - É possível notar que os animais de estimação passaram a ser tratados como membros da família, mas ainda existem aqueles que são abandonados por seus “donos”. De acordo com suas experiências, quais as principais causas deste ato?

Shaiane  Novais - Infelizmente é a compra por impulso, a adoção por impulso. Muitos compram animais pois estão na moda ou por que são bonitinhos. a.Adotam pois ficaram surpresos com a história triste do animal e depois de um tempo enjoa. Isso acontece muito, já aconteceu com um dos animais que eu mesma doei. A cachorra que me foi devolvida ficou triste uns 10 dias, sem brincadeira, as pessoas não tem noção do quando os animais se sentem, e a rejeição é uma coisa que eles também podem sentir.

Zé Paulo - Quais as principais dicas para as pessoas que desejam ter um animal de estimação?

Shaiane  Novais - Primeiro Zé tem que se estar consciente de que o animal vive de 15 a 20 anos. Se o animal for filhote tem que ter consciência que ele é super ativo e vai querer brincar, passear, realmente como uma criança. Esse cãozinho/gatinho precisam de uma boa alimentação, cuidados veterinários e de muito amor e carinho. Vocês tem condições de proporcionar tudo isso ao novo amigo? Essas são coisas básicas que todos devem saber antes de adotar um animalzinho. E lembre-se sempre, ninguém gosta de ficar preso, então tenha um local onde seu animal possa ficar solto, nunca se esquecendo de colocar a coleira e a plaquinha de identificação com o nome do animal e o telefone. Para os gatinhos é muito importante telar todos os locais acessíveis as ruas, para que ele não possa escapar e é claro, castre e adote sempre!

Zé Paulo - E para aqueles que encontram um animal abandonado, como podem ajudar?

Shaiane  Novais - Eu sempre peço para que as pessoas ajudem resgatando esse animal, levando ao veterinário e dando um Lar Temporário até que se consiga um novo dono para ele. Depois que o animal estiver saudável para adoção, tire a foto e poste nas redes sociais, envie aos amigos por e-mail, muitos lares responsáveis são conseguidos dessa forma e é muito gratificante. Nunca digo para levar para as ONG`s, pois hoje elas se encontram em super lotação. O Canil Municipal de nossa cidade eu optaria somente em casos extremos, de não haver como ninguém recolher. Afinal nada como uma casa com muito carinho para quem estiver doente. Zé, muito obrigada pela oportunidade, ficando alguma dúvida vocês podem entrar em contato comigo pelo e-mail peac.stz@hotmail.com Abraços a todos os leitores e leitoras!!!!

Adotar e castrar é um ato de amor!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Zé Paulo entrevista o vereador de Osasco Maluco Beleza





Zé Paulo - Qual sua avaliação do seu mandato até agora?

Maluco Beleza – Avalio como positiva, pois com menos de um ano e meio de mandato consegui ajudar muitas pessoas e aprovar projetos de grande relevância para a cidade como por exemplo o Projeto de Oximetria de Pulso, conhecido como Teste do Coraçãozinho, teste que é feito nos recém-nascidos e vem ajudando a detectar problemas de cardiopatia congênita e salvando vidas. Só em Osasco mais de 300 crianças por anos nascem com algum tipo de problema cardíaco. Alem disto conseguimos bastantes benefícios para vários pontos da cidade, como mais câmeras de monitoramento, aparelhos de ginásticas ao ar livre para deficientes físicos, em breve teremos a feira noturna, que também é uma indicação minha à Prefeitura entre outros serviços. Não é fácil, muitas vezes não consigo realizar tudo que seria necessário, mas na media do possível e com muita insistência vou trabalhando e ajudando a melhorar nossa Osasco.

Zé Paulo - No seu perfil do Facebook, você divulga suas ações como vereador. Qual a importância das redes sociais como instrumento de participação política do cidadão?

Maluco Beleza – Sim, eu costumo divulgar minhas ações, trabalhos e projetos no Facebook, Twitter e pelo meu blog: www.malucobelezaosasco.com.br e tenho também um canal no Youtube com vários vídeos sobre minhas atuações e matérias que participo. Hoje em dia a internet é de extrema importância para todos os seguimentos e na política não é diferente. Através do facebook principalmente é que baseio minhas indicações e projetos, pois com a minha fanpage que hoje tem mais de 37 mil curtidas, eu consigo ter um canal de comunicação direto com o povo. Recebo reclamações, sugestões para projetos, dicas e falo com os munícipes. Com o avanço da internet, hoje o munícipe vê por exemplo, um buraco na rua, tira foto do celular e já posta no facebook e consegue marcar nesta postagem todos os interessados, daí mesmo eu já providencio e encaminho indicações e ofícios para a Prefeitura pedindo providências.  

 Zé Paulo - Qual sua opinião sobre esta frase.  “A verdadeira mudança política que um país necessita, começa na relação dos prefeitos e vereadores com os munícipes”.. 

Maluco Beleza – Eu acho que a relação dos políticos com os munícipes irão melhorar quando o cidadão começar a se interessar verdadeiramente na política, participando de verdade, votando e depois das eleições acompanhando passo a passo dos políticos que votou e os que não votou também, afinal o munícipe é nosso patrão e como diz o ditado: “São os olhos do dono que engordam o porco”. Quando o povo “em peso” participar da política, ai sim teremos a verdadeira mudança. Eu por exemplo, nunca fui muito “fã” de política, não me interessava, até o momento que vi que era necessário participar e hoje aderi a uma campanha que já existe em alguns municípios que se chama “ADOTE UM VEREADOR”. Essa campanha significa que todo o cidadão deve acompanhar de alguma forma, seja pessoalmente ou pela internet, mas é necessário fiscalizar o que o político faz, seus trabalhos e projetos.


Zé Paulo - Osasco tem o 11º PIB entre os municípios brasileiros e possui a quinta maior população do Estado de São Paulo.  Como conciliar desenvolvimento econômico, com mobilidade urbana e qualidade de vida?

Maluco Beleza – No meu ponto de vista, precisamos de mais investimentos em infra-estrutura e mais educação. Mas também precisamos de projetos a nível federal que visam serviços inovadores e ecologicamente sustentáveis, transportes públicos de qualidade, mais ciclofaixas, interligações de transportes e uma política séria visando o futuro.


Zé Paulo - Em 2013 o Brasil vivenciou um período de manifestações, que  teve como pontapé inicial o aumento das passagens.  Em virtude destes protestos o eleitor que vai às urnas em outubro pode apresentar um perfil mais crítico? 

Maluco Beleza – Eu espero realmente que essas manifestações não tenham acabado nas ruas e cheguem até as urnas, mas acredito que para o eleitorado vai mudando aos poucos. Nestas eleições acho que terá protestos e provavelmente uma parte da população vai escolher melhor seus governantes, mas não será o bastante se não vivenciarmos a política todos os dias.


Zé Paulo - E para estas eleições, quais serão seus projetos, vereador?


Maluco Beleza – Eu sou pré-candidato a Deputado Federal e pretendo buscar verbas e viabilização para dar continuidade a 2 projetos de minha autoria em Osasco que foram vetados. Um deles é o Crematório Municipal, que poderá ser Regional, englobando as cidades vizinhas. Outro projeto é um pronto atendimento na Zoonose para animais de pequeno e médio porte ou talvez, se possível um Hospital Veterinário Público em nossa região. Além disso pretendo trabalhar na área social e também ser um representante dos motociclistas, motoboys, motofretistas e mototaxistas para que essa categoria tenha voz no Congresso Nacional lutando e defendendo todos os mais de 20 milhões de trabalhadores desta categoria.

Zé Paulo, é economista formado pela Universidade Prebiteriana Mackenzie

Maluco Beleza, é vereador da cidade de Osasco

sábado, 17 de maio de 2014

Zé entrevista o economista Jorge Silva



Zé Paulo - Por qual razão decidiu estudar economia?

Jorge Silva - Primeiramente gostaria de agradecer o convite e a oportunidade para expor algumas ideias e opiniões através do seu blog. Bom, sempre gostei de acompanhar o noticiário econômico e também político do nosso país. Quando jovem enquanto meus amigos e até a família preferiam programas de entretenimento na TV eu buscava os noticiários, então foi a partir dessas experiências que optei pela Economia. No entanto, pensei anteriormente em outros cursos como administração e jornalismo, este último justamente pela possibilidade de poder falar sobre política e economia, mas durante o cursinho pré-vestibular descobri que eu poderia ir mais além, poderia atuar no meio e poder de alguma forma ajudar a mudar a triste realidade da nossa nação.


Zé Paulo - Qual sua avaliação da política econômica adotada pelo governo da presidente Dilma?

Jorge Silva - A política econômica do governo Dilma tentou nos primeiros anos seguir a herança do antecessor, porém, nota-se que perderam o controle, especialmente sobre as contas públicas, o que é um risco. Infelizmente hoje vemos que algumas conquistas de governos anteriores estão sendo usurpadas por medidas desastrosas e danosas em médio prazo, como o controle da inflação através de medidas que buscam administrar preços, evitando o reajuste hoje, mas que serão efetuadas em outro período certamente com impacto ainda maior. Já tivemos essas experiências e não temos boas lembranças. Hoje vemos o descontrole das contas públicas enquanto a sociedade é onerada demasiadamente, não vemos responsabilidade alguma, pagamos altos impostos e recebemos praticamente nada de retorno, e o pouco que recebemos é de forma inadequada, com mau uso da verba e desvio de grande parte dela, resumindo a política fiscal expansionista do governo se mostra ineficaz. De outro lado temos uma política monetária que lança mão do aumento da taxa de juros para compensar as medidas desastrosas do ponto de vista fiscal, para tentar manter a inflação sob controle. Nesse contexto temos, como sempre, uma sociedade cada vez mais onerada, um governo irresponsável com as contas públicas e um país com crescimento pífio, o qual perdeu mais uma vez a oportunidade de se desenvolver mais e obter maior visibilidade no cenário econômico mundial enquanto o resto do mundo estava em crise.


Zé Paulo - Aponte os pontos fracos e fortes da gestão petista na presidência.

Jorge Silva - É muito difícil apontar pontos fortes em qualquer administração pública, mas na petista tem sido ainda mais difícil. Tivemos em governos anteriores alguns pontos importantes e que são mantidos até mesmo pela atual administração, neste sentido acredito que o ponto forte seja a manutenção das medidas benéficas ao país adotadas em governos anteriores, como o controle inflacionário e as políticas sociais. Como pontos fracos podemos citar vários, não só dos petistas, mas também dos antecessores. Especialmente dos petistas cito o aparelhamento do Estado, os descasos com a saúde e com a infra-estrutura do país e os casos de corrupção que assolaram a classe política, sempre protegida pelo governo federal com tentativas de desqualificar qualquer fato, mesmo que escancarado para a sociedade. Outro destaque é o uso da política social com meio para se manter no poder. As políticas sociais são necessárias, porém, são necessárias medidas para que isso não se perpetue e as pessoas não se acomodem por receber mensalmente dinheiro para se sustentar sem ao menos pensar em sair dessa situação. Hoje as famílias recebem dinheiro por terem filhos e não são preparadas ou qualificadas para retornar ao mercado de trabalho. Mas o que acontecerá com os filhos desses cidadãos? Como sobreviverão quando adultas sem uma comunidade desenvolvida ou preparada para absorver sua mão de obra? Que qualificação esse cidadão terá? Ou seja, temos assim uma forma moderna do voto de cabresto, mantendo cidadãos reféns de uma “esmola”, sem pensarem nos impactos futuros.


Zé Paulo - Recentemente uma ala do PMDB ensaiou com alguns membros da base aliada uma “rebelião” contra o governo federal.  Com alguns acordos esta crise foi debelada.  Qual sua opinião sobre nosso congresso nacional e a maneira pela qual a situação consegue apoio?

Jorge Silva - Isso é apenas um pequeno exemplo da falta de caráter da classe política. Não devemos focar apenas no Congresso Nacional, pois temos exemplos em todas as camadas, principalmente às vésperas de eleições. Podemos citar as articulações no estado de São Paulo, onde ex-aliados, se tornaram rivais e hoje articulam em busca de segundos a mais na propaganda eleitoral. Infelizmente tivemos nos últimos anos uma oposição covarde que se esconde atrás de seus maus feitos do passado, como uma pessoa que não pode contar o segredo de outra porque esta sabe de coisas que podem prejudicar sua imagem. Temos uma busca incessante por acordos entre partidos quando estes acordos são para os interesses deles próprios, quando o interesse é da sociedade não vemos a mesma energia para negociações, mas sim a postergação do assunto até que caia no esquecimento. Pensamos em mudanças, mas infelizmente não temos muitas opções que mereçam nosso voto, está cada vez mais difícil. No entanto, não devemos cair no erro de não querer saber de política, se queremos mudar algo devemos nos interessar e participar. Se não temos opção, devemos ser a opção.

Zé Paulo - Focando agora na política estadual em São Paulo, você concorda com a ideia que está sendo disseminada pelos adversários do Geraldo Alckmin que após 16 anos no poder o PSDB esgotou seu “estoque” de capital político? Comente os pontos positivos e negativos da gestão tucana em São Paulo.

Jorge Silva - Sempre fui a favor da mudança. Não podemos manter no governo um partido por tanto tempo, por mais que este tenha feito algo bom para a sociedade. Não devemos confiar em alguém durante 16 anos sem nunca mexer nas suas gavetas, a não ser que você não queira realmente descobrir algo. Não precisamos sequer chegar ao fim desse ciclo e já vimos os diversos casos de corrupção envolvendo o partido do governo e seus aliados, foi muito tempo sem abrir a gaveta. O governo tucano não foi dos piores, foi feliz em alguns pontos principalmente no que tange a mobilidade urbana. Fez boas ações também com a implantação do Poupatempo e do Bom Prato. Pouca coisa para quem está há 16 anos no poder. Como pontos negativos temos muitos. Um deles a educação, a qual está cada vez pior, os professores estão desmotivados, os alunos desinteressados e o sistema de avaliação é péssimo. Outro ponto negativo é a segurança pública, a sociedade vive cada mais insegura e quem deveria atuar na proteção está atuando na opressão, às vezes fica difícil confiar. Por último os diversos casos de corrupção e falta de clareza e interesse do governo em punir os envolvidos, o que nos leva a dúvida quanto ao envolvimento dos membros do alto escalão. 


Zé Paulo - A jornalista Raquel Sherazade defendeu durante a exibição de um telejornal que a população por está indignada com a violência e a ausência do poder publico adote a prática da de fazer  justiça com as próprias mãos. Como você avalia este comportamento?  

Jorge Silva - É um comportamento perigoso, tanto o da jornalista quanto o da sociedade. Por um lado a jornalista tem um grande poder nas mãos, ela consegue difundir sua opinião para todo o país e até fora do país, principalmente nos dias de hoje que temos a internet como principal canal. Por outro lado temos uma sociedade cansada de injustiças, mas que na maioria não se preocupa em saber se aquela opinião é ou não cabível, ou se aquele fato é ou não verdadeiro, podendo cometer injustiça com as próprias mãos. Como exemplo, podemos citar o trágico acontecimento no Guarujá (SP), onde uma inocente foi cruelmente morta devido uma notícia mal divulgada. É preciso pensar, avaliar mais de uma opinião ou fonte sobre determinados assuntos e pensar nas consequências que as postagens em redes sociais ou outros canais podem tomar. Não adianta também a sociedade se rebelar contra seus próprios pares enquanto os verdadeiros inimigos estão sentados confortavelmente em seus luxuosos gabinetes (nas raras vezes que comparecem a eles).



Zé Paulo é economista e editor deste blog.  Jorge Silva também  é economista.  Ambos são formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.