Fonte: Blog do Poeta Álvaro Alves de Faria
Este texto
foi retirado da fonte acima citada, cabendo a ela os créditos pelo mesmo.
Ontem eu pensei em ir conhecer o
Pixuleco na Avenida Paulista, mas minha bicicleta quebrou, não deu para sair de
casa. Então eu ainda não conheci de perto o Pixuleco, aquele boneco
inflável com a imagem do digníssimo senhor ex-presidente da República, Luiz
Inácio Lula da Silva, vestido de presidiário com o número 13-171. Eu
quero ver o Pixuleco de perto. Soube depois que houve muita briga na Paulista,
por causa do Pixuleco. (Pixuleco é como o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari
Netto, se referia à propina que ele ia recolher da Petrobras para levar ao
PT). 
Então o nome Pixuleco coube certinho no boneco inflável de Lula. Nessa
manifestação contra o governo e a corrupção, ocorreu uma coisa inusitada. O
senhor ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, decidiu passear na avenida
Paulista, bem no domingo, dia da manifestação. Caminhou com um
amigo pela calçada da avenida Paulista, dando um passeio dominical, com
uma blusa Polo verde-musgo, calça jeans e tênis. O ministro, uma espécie
de menino de recados do governo, caminhava tranquilamente com seus óculos
escuros, mas foi reconhecido por manifestantes. Foi xingado e insultado. A bem
da verdade, o ministro da Justiça não foi ríspido com ninguém. Ouviu tudo e
tentou falar o que lhe foi possível. As pessoas não querem mais saber se é
ministro ou não. As pessoas estão cansadas e vão cobrar mesmo. O ministro da
Justiça continuou caminhando sem discutir com ninguém. Pelo contrário: ouviu
tudo. 
A seguir, entrou na Livraria Cultura, que teve de fechar as portas.
Depois o ministro disse que “tem-se que respeitar o povo”. Disse mais: “A
intolerância é incompatível com a democracia”. Referindo-se a alguns
manifestantes que acusavam o governo, o ministro afirmou: “É democrático vocês
se manifestarem, mas xingamentos ultrapassam o limite democrático”. Um dia
antes, no sábado, o digníssimo ex-presidente Lula disse que será candidato
em 2018. E disse isso como uma espécie de ameaça. Como se ele fosse ainda
o mesmo que foi há alguns anos, no que diz respeito a voto e prestígio
popular. Afirmou que “tem ficado quieto no seu canto”, mas que decidiu que de
agora em diante vai passar a falar de novo, vai dar entrevistas, vai
“incomodar”. 
Textualmente, disse o seguinte: “Um ex-presidente tem de aprender
a ser um ex-presidente, não pode ficar dando palpite”. O ex-presidente devia
estar brincando. Se existe alguém no país que é “ex” e não se porta como “ex” é
ele, porque se mete em tudo, como se o país fosse dele, como se fosse ele o
presidente da República. O senhor ex-presidente assinalou ainda: “Existe um
certo ódio emocional, uma irracionalidade emocional no país”. Para ele, esse
fato “faz com que se estabeleça uma divisão nacional”. Não diga, senhor
ex-presidente! Verdade? E quem plantou esse ódio e essa irracionalidade a que o
senhor se refere? Quem?  
Disso tudo eu me lembro de minha mãe, que se foi
não faz muito tempo, com 96 anos de idade. Ela sempre me disse a vida inteira:
“Filho, a gente colhe aquilo que planta”. Ela tinha razão.

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