Luisa Mell
O Conselho Regional de Medicina Veterinária teve conhecimento de sua lamentável manifestação a respeito do hospital veterinário que prestou atendimento a um animal resgatado por sua equipe e que tomou grandes proporções nas redes sociais, gerando milhares de comentários desabonadores contra profissionais médicos veterinários.
Em razão disso, este CRMV-SP vem, em DEFESA de nossa nobre profissão e com grande indignação, ressaltar a Vossa Senhoria, à sua equipe de proteção animal e a todos os demais protetores, que o médico veterinário é um profissional como todos os demais, vivendo da remuneração de seu trabalho e que deve ser respeitado por isso.
Há, desde o princípio, um enorme investimento financeiro, físico, mental e psicológico durante toda a graduação em Medicina Veterinária, esforço que se propaga ao longo de toda a carreira, por ser uma profissão que exige muita dedicação, em razão de cuidar de vidas animais, proteger a sociedade e zelar pela preservação do meio ambiente. O médico veterinário tem sido de forma constante cobrado por pessoas que se nomeiam “protetores animais” para que exerça sua profissão de forma gratuita ou mesmo por preços irrisórios, sendo literalmente atacado em caso de recusa.
É importante ressaltar que muitos desses protetores são de classes sociais elevadas, possuindo recursos financeiros investidos em conforto e ostentação, tendo claras condições de um maior investimento nos cuidados dos animais resgatados.
 Infelizmente, tais pessoas encontram na causa animal uma forma de se promover, usando a proteção, inclusive, como cunho político, e não por realmente se importarem com a situação. Assim, fazer caridade com as mãos dos outros se torna a melhor opção.
Como nas áreas da saúde humana, onde não se costuma ver pessoas atacarem os profissionais por não atenderem pessoas carentes sem cobrança de honorários, há, no município de São Paulo, dois hospitais veterinários públicos, que atendem de forma gratuita, além das diversas Universidades em todo o Estado, prestando atendimento com preços populares.
Porém, alguns protetores procuram as clínicas e os hospitais mais conceituados de São Paulo para a realização do atendimento, talvez porque não desejam esperar por algumas horas nas filas do hospital público ou mesmo não se sintam à vontade em dividir a recepção com pessoas de baixa renda, dando preferência ao conforto das instalações dos estabelecimentos considerados de alto padrão.
Ressalte-se, ainda, que o Código de Ética Profissional do Médico Veterinário, aprovado pela Resolução CFMV 722/02, dispõe que não é permitida a prestação de serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente praticados, exceto em caso de pesquisa, ensino ou de utilidade pública.
Ou seja, o profissional que possui consultório, clínica ou hospital particular, somente pode prestar atendimentos gratuitos ou a preços baixos se possuir convênio ou parceria com um órgão público, sendo, desta forma, caracterizado como serviço de utilidade pública.
Por fim, este Conselho solicita a Vossa Senhoria o devido respeito que nossa profissão exige, deixando de divulgar os frequentes comentários desabonadores vistos atualmente, especialmente através de suas redes sociais.
Atenciosamente,
Francisco Cavalcanti de Almeida
Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo

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