Chacrinha dizia que na TV nada se cria, tudo se copia. Programas como Topa ou não Topa, até recentemente veiculado pelo SBT, Big Brother (TV Globo) e CQC (Band) ganham versões em inúmeras línguas a partir do licenciamento comercializado por empresas internacionais como Endemol, Eyeworks- Cuatro Cabezas e Fremantle. No Brasil, ainda é incipiente a criação de formatos como estes.
Para conversar sobre este tema, o apresentador do Ver TV, Lalo Leal, recebe a produtora de filmes e programas de TV e diretora do Sindicato da Indústria Audovisual de São Paulo, Debora Ivanov; a diretora de aquisições e novos conteúdos da Rede TV, Andrea Dallevo; e o doutor em comunicação e autor do livro Gêneros e Formatos na Televisão Brasileira, Jose Carlos Aronchi,
Aronchi levanta dúvidas sobre a originalidade dos formatos que justifique os direitos sobre a propriedade intelectual do produto: “Não entendo o que pode ser patenteado no formato, qual o aspecto que o tornaria realmente único. Talvez seja a forma de se apresentar esteticamente, mas em relação à essência não há ineditismo”.
Andrea Dallevo concorda que, muitas vezes, falta originalidade na indústria dos formatos. “Tem muita coisa “inspirada” (copiada) e é muito difícil ver alguma coisa totalmente nova”, diz. Entretanto, o que se compra, afirma, não é o formato em si, mas toda uma assessoria para a adaptação em cada país.
Da produtora Gullane, que produziu entre outros filmes O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, Debora Ivanov explica que a cultura de criação de formatos se consolidou na Inglaterra, Estados Unidos, dentre outros países, em razaão de uma estrutura mais “arejada” na qual predominam as produções independentes na grade de programação de TV. No Brasil, em razão de uma estrutura mais verticalizada, isso não ocorreu.
“É preciso investimentos, fundos para que possamos exercitar, ter espaço para os pilotos, a oportunidade de testar”, defende a produtora. “Tem muita criatividade (dos profissionais brasileiros), mas a criação de formato não é apenas intuição”, pondera Andrea Dallevo. “As universidades poderiam assumir a pesquisa aplicada em comunicação, de formar profissionais capazes de criar novos formatos”, sugere Aronchi.
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