Não fui eleitor da presidente eleita Dilma Rousseff, mas desejo a ela sorte na condução do Brasil nos próximos 4 anos. Torço para que as conquistas alcançadas nestes últimos 16 anos sejam mantidas e que não ocorram retrocessos em nossa democracia e nos direitos a liberdade de expressão.
Em seu primeiro mandato, o governo Lula não contava com maioria no Congresso Nacional, fato que culminou no escândalo do mensalão. Já Dilma possui desde o início o apoio dos “Dinossauros Políticos” do PMDB com Renan, Sarney e Cia. A principal dificuldade de Dilma no campo político será compor sua base aliada e fazer a distribuição de cargos aos membros do PT e do PMDB buscando atender o interesse de cada um.
A primeira missão dada pela presidente Dilma Rousseff ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, foi a de buscar a pacificação do PMDB. O partido vive um momento de forte estresse no relacionamento com o PT, que se apossou de cargos importantes antes dominados por peemedebistas, como a presidência dos Correios e a Secretaria de Atenção à Saúde, e agora pretende avançar sobre a Fundação Nacional da Saúde (Funasa). São postos que dominam orçamentos gigantescos: a Secretaria de Atenção à Saúde, perto de R$ 45 bilhões; os Correios, R$ 12 bilhões; a Funasa, R$ 5 bilhões. Têm presença em todas as regiões do País, o que dá uma grande visibilidade ao partido que as controla. Dilma teme que o PMDB inicie algum movimento de retaliação aos petistas em votações importantes, como a da medida provisória que fixou o salário mínimo em R$ 540. A situação é tão grave que o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, protagonizaram um bate-boca, com acusações e xingamentos. Dilma convocou para hoje reunião do Conselho Político, que
é integrado pelos líderes e presidentes dos partidos da coligação do governo. Quer dar início às conversações de paz hoje mesmo.   (JCONLINE, 2011).

Guido Mantega foi mantido como Ministro da Fazenda e Henrique Meireles substituído  por  Alexandre Tombini na presidência do Banco Central.

   
Apesar de a manutenção de Mantega no cargo atender a uma sugestão feita de maneira explícita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o perfil do ministro atende ao interesse de Dilma em reforçar no seu governo o que, nos debates entre economistas, costuma ser rotulado de “postura desenvolvimentista”. Em síntese, isso significa que o rigor fiscal não pode comprometer o crescimento econômico. A idéia é não atentar contra controle da inflação, mas não transformar os apertos fiscais em solução para todos os problemas da administração econômica.  (LOPES et AL, 2010).
Essa presunção generalizada de que o novo governo pretende corrigir a política econômica em curso vem impedindo percepção mais nítida do real significado da manutenção de Mantega na Fazenda. Não é claro, em absoluto, que o ministro tenha sido mantido para comandar a correção de rumo que hoje se faz necessária na política econômica. Embora não falte quem queira acreditar nisso, há outra hipótese muito mais plausível: o ministro foi mantido simplesmente porque não há, de fato, qualquer intenção de corrigir o rumo da política econômica. E não se pode descartar uma terceira hipótese: embora haja intenção de alterar a política econômica, a mudança de rumo que caberá ao ministro gerir será numa linha bem diferente da que hoje se faz necessária. (WENECK, 2010)
“Alexandre Tombini é uma excelente escolha, e um profissional completamente preparado para a função. Trabalhamos juntos por cinco anos e tenho plena confiança nele.”  ( MEIRELLES IN UOL NOTICIAS , 2010).

Os analistas econômicos reagiram de forma positiva a mudança de comando no BC.
‘O BC de Tombini tem todas as condições de ser independente do ponto de vista operacional’, definiu o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. Ele discorda da avaliação de muitos no mercado (geralmente expressa em conversas informais, porque ninguém quer se indispor de saída com a nova autoridade monetária), segundo a qual Tombini seria mais suscetível a pressões do Executivo na definição do juro básico. ‘Tombini tem tudo para fazer um trabalho bem sucedido.’  (MODÉ et al, 2010).
‘Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, disse que a escolha de Tombini ‘é uma demonstração de confiança na qualificação acadêmica e excelência técnica dos quadros da instituição’. Para ele, sua nomeação ‘indica o respeito da presidente eleita Dilma Rousseff para com a política de metas de inflação’. (MODÉ et al, 2010)
‘O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, elogiou a escolha de Tombini. ‘Finalmente, tiraram a raposa do galinheiro’, disse ele, em referência ao atual presidente do BC, Henrique Meirelles, que veio do mercado financeiro para o governo Lula. ‘Tiraram o banqueiro e, finalmente, vamos ter um funcionário de carreira no comando do BC’. ( MODÉ et al, 2010)

Estes sinais para alguns analistas representaram o caráter desenvolvimentistas da presidente. Guido e Dilma em recentes entrevistas afirmaram que irão reduzir os gastos de custeio do governo federal e manter os programas sociais.
O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o governo vai reduzir os gastos com custeio e impedirá o aumento de gastos no próximo ano. A declaração foi feita hoje, 06/12, após o Seminário Diálogos Capitais 2011-2014, promovido pela revista Carta Capital, no Rio de Janeiro. A revisão será feita em todas as áreas de governo, com exceção de projetos prioritários como o Bolsa Família.  O ministro explicou que o corte não será linear, mas por disponibilidade, ou seja, de forma que não comprometa o principal projeto do ministério. A proposta está sendo estudada pelo Ministério do Planejamento e pelo Tesouro Nacional e será apresentada à presidente eleita Dilma Rousseff. (MINISTÉRIO DA FAZENDA, 2010).
O governo está também atento aos projetos que estão tramitando no Congresso e que podem constituir um aumento forte de despesas como, por exemplo, a PEC 300 (estabelece o piso salarial para policiais militares e bombeiros), que aumentaria em cerca de R$ 46 bilhões os gastos para a União e para os estados. O ministro citou ainda o projeto de reajuste de 56% para os servidores do Judiciário. “Nós vamos nos empenhar para que esses gastos sejam postergados”. (MINISTÉRIO DA FAZENDA, 2010).
É muito cedo para avaliarmos qual será a postura do governo, devemos então esperar a “quarentena” política de 100 dias que os eleitos possuem para depois analisarmos se os primeiros sinais emitidos realmente indicam uma guinada na mudança da política econômica.
No ministério das Relações Exteriores houve a troca de Celso Amorim por Antonio Patriota, que segundo o portal G1 possui características possui um perfil “afinado” com seu antecessor.
Auxiliar próximo e amigo do ministro Celso Amorim, Patriota é “afinadíssimo” com o atual titular da pasta, avaliou Igor Fuser, professor de Política e Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em debate recente sobre o tema. Patriota deve manter, por exemplo, a política de expansão das representações diplomáticas no mundo. Foram 64 novas unidades abertas desde o início do governo Lula, em 2003, quase a metade do que havia até então: 150 postos. Em discurso de posse na Secretaria Geral do Itamaraty, em outubro de 2009, o futuro ministro também endossou o trabalho de ampliação do quadro diplomático. Falou em “deixar claro desde já” seu “empenho em continuar a trabalhar por uma ampliação do quadro de diplomatas que nos aparelhe para os desafios do século 21”. Sob Lula, uma lei de 2006 permitiu a abertura de 400 vagas de diplomata. ( G1 , 2010)

Diferente de seu antecessor Dilma não conta com o prestigio e popularidade internacional de Lula e irá optar por ações mais pragmáticas e discretas.

A política externa brasileira no governo Lula foi marcada pela busca de maior protagonismo político em foros internacionais. Exemplos dessa estratégia foram a criação do G20, coalizão liderada pelo Brasil para defender interesses de países emergentes em negociações comerciais, e as tentativas de mediação no conflito entre Israel e Palestina e na crise nuclear do Irã. Como Dilma não conta com o prestígio internacional de Lula, pode haver um recuo em iniciativas mais ousadas de política externa, avalia o professor e diplomata Paulo Roberto Almeida. “O presidente tem crédito internacional e um ‘bônus de confiança’ que permite lançar lances ousados. É difícil isso ser reproduzido por outra pessoa, já que para ser aceito como mediador é preciso ter empatia com os envolvidos, e isso se constrói ao longo do tempo”, diz Almeida.  (G1,2010).
                         
.No cenário econômico internacional:
Uma particularidade da política externa brasileira no governo Dilma será um cenário econômico internacional menos favorável, avalia Sandra Rios, diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes). Para a especialista em política de comércio exterior, a perspectiva de demora no reaquecimento da economia mundial e de manutenção do real valorizado dificultarão a obtenção dos saldos expressivos na balança comercial que marcaram a era Lula. (G1, 2010).
Dia 1 de janeiro de 2011 começou a era Dilma na presidência, para seus aliados cabe o papel de oferecer apoio e aos opocionistas no grupo onde estou inserido é reservado a missão de fiscalizar.  Ambos devem ter em mente que acima de nossas preferências partidárias está o Brasil.
Boa sorte Dilma
Boa sorte Situação
Boa sorte Oposição

* José Carmo é economista e editor do Blog do Zé

Bibliografia
G1. Desafios do governo Dilma: política externa Disponível
em : < http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/12/desafios-do-governo-dilma-politica-externa.html>. Acessado em 03 jan 2011.
JCONLINE. Dilma enfrenta crise entre PT e PMDB por 2º escalão. Disponível em: < http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/politica/noticia/2011/01/03/dilma-enfrenta-crise-entre-pt-e-pmdb-por-2-escalao-250808.php>.
Acessado em 03 jan 2011.
LOPES , Eugênia,  et al. Dilma segura Mantega na Fazenda para reforçar ‘desenvolvimentismo’. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+brasil,dilma-segura-mantega-na-fazenda-para-reforcar-desenvolvimentismo,44039,0.htm>. Acessado em 03 jan
2011.

MODÉ, Leandro,  et al. Mercado aprova indicação de Tombini e juro de longo prazo cai.
Disponível em: < http://estadao.br.msn.com/economia/artigo.aspx?cp-documentid=26489083>. Acessado em 03 jan 2011.
MINISTÉRIO DA FAZENDA. Governo vai reduzir gastos com custeio em todos ministérios . Disponível em: <
http://www.fazenda.gov.br/audio/2010/dezembro/a061210.asp> . Acessado em 03 jan 2011
UOL NOTÍCIAS. Meirelles elogia escolha de Tombini para sucedê-lo na presidência do BC. Disponível em:  < http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/11/24/meirelles-elogia-escolha-de-tombini-para-sucede-lo-na-presidencia-do-bc.jhtm>. Acessado em 03 jan 2011.

WENECK, Rogério L. F. O significado da manutenção de Mantega. Disponível em < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101126/not_imp645484,0.php>.
Acessado em 03 jan 2011.

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